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quinta-feira, 30 de junho de 2011

A selva urbana

As cidades são o lar de inúmeros animais bravios

Se pedir a alguém que diga nomes de bichos citadinos, ouvirá decerto falar em cães, gatos, pombos, gaivotas e pardais. Porém, apesar de as urbes serem ambientes artificiais criados pelo homem, são inúmeros os animais selvagens que também se tornaram “urbanos”. O biólogo Jorge Nunes mostra-nos alguns dos que podemos observar nas principais cidades portuguesas. Fique de olho nos seus vizinhos bravios.
Lembro-me bem da primeira vez que visitei a capital britânica, já lá vão muitos anos, e do dia deslumbrante que passei a descobrir os recantos encantados do Museu de História Natural. Mas, curiosamente, o que recordo com maior emoção da semana passada em Inglaterra foram os passeios a pé pelos jardins e parques públicos de Londres e Oxford.
Sempre soube que havia cães, gatos e pombos nas cidades (por vezes, de tão comuns, já nem reparamos neles), mas as caminhadas pelos magníficos jardins ingleses permitiram-me descobrir, para meu grande espanto, que também aí podiam encontrar-se animais selvagens. E, evidentemente, não me refiro aos que estão confinados aos jardins zoológicos!
Foi no coração da metrópole mais populosa da União Europeia (quem diria?), com quase tantos habitantes como a nação portuguesa, que observei pela primeira vez, e sem necessidade de binóculos, corvos, gralhas, gansos selvagens, patos bravos de diferentes espécies, esquilos e chapins que vinham comer às mãos dos transeuntes, e até veados e gamos que se passeavam livremente pelos relvados, bosques e jardins. Também me falaram das raposas, que existiam (e ainda existem) aos milhares nos jardins londrinos, mas os seus hábitos nocturnos impediram-me de as lobrigar, tendo acabado por conhecê-las anos mais tarde através de um documentário da BBC.
O curioso dessas minhas deambulações urbanas é que pude observar mais bichos silvestres nos jardins públicos britânicos do que em dezenas de saídas de campo que havia feito a algumas das principais áreas protegidas portuguesas.
Após outras viagens (reais e virtuais, através de filmes e documentários) por diversos países dos cinco continentes, acabei por perceber que a experiência vivida em Londres, afinal, poderia ter acontecido em qualquer outra cidade do mundo. Em todas elas se assiste à convivência (nem sempre salutar, diga-se), entre homens e bichos bravos.
A capital portuguesa não é excepção. Também ela acolhe animais selvagens que coabitam connosco sem que, muitas vezes, nos apercebamos da sua presença. É claro que não podemos encontrar os veados e gamos de Oxford, as raposas e os esquilos de Londres, os texugos de Copenhaga, os javalis de Berlim, os lobos de Brasov (Roménia), os falcões-peregrinos de Nova Iorque, os urubus-pretos de São Paulo, os macacos Hanuman do Rajastão (Índia) ou os ursos polares de Churchill (Canadá), mas Lisboa é igualmente uma urbe selvagem, bem como todas as outras cidades e vilas portuguesas.

Cidades selvagens

O surgimento das cidades, há cerca de seis mil anos, constituiu um salto considerável na história humana, tendo contribuído para que as populações se defendessem com mais facilidade, acentuassem relações sociais, partilhassem conhecimentos, utensílios e serviços e criassem cultura e ciência, que acabaram por tornar o ser humano civilizado. Curiosamente, os animais selvagens nunca estiveram muito longe. Afinal, quem consegue resistir ao apelo citadino?
Com o passar dos séculos, as primeiras cidades, essencialmente horizontais (de pedra, madeira e adobe), foram dando lugar a gigantescas construções de betão e aço, que parecem cair em direcção ao céu como as falésias se despenham sobre o mar. Mas nem isso demoveu a bicharada, que continuou, tal como as pessoas, a responder ao apelo das grandes metrópoles, mesmo quando o verde não passava de um ténue reflexo nas desmesuradas cortinas de vidro e metal.
Sendo as cidades ambientes artificiais criados pelo homem, de certa forma para fugir às agruras do campo e ao contacto insalubre com as ameaças naturais, é curioso verificar que elas nunca foram um domínio exclusivo dos seres humanos. Inúmeros bichos tornaram-se também eles “citadinos”, ocupando a estranha selva de betão, adaptando-se e prosperando com invejável sucesso. A sua sobrepopulação, em muitos casos, acabou por transformá-los em vizinhos incómodos e verdadeiras ameaças para a segurança e a saúde públicas, sobretudo como fonte de infecções e causa de acidentes rodoviários.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

ESA divulga nova versão do seu mapa-mundo

Já está disponível no portal do projeto GlobCover a última versão do mapa da superfície terrestre.
A Agência Espacial Europeia disponibilizou recentemente uma nova versão do mapa da superfície terrestre que poderá ser descarregado por qualquer internauta no portal do projeto GlobCover .
Desenvolvido em parceria com a Universidade católica de Lovaina (Bélgica) este mapa-mundo foi criado a partir de informação recolhida durante o ano passado pelo satélite Envisat , em órbita desde 2002.
Para além de apoiar a comunidade científica no estudo das alterações climáticas, pretende aumentar a capacidade da comunidade internacional na resolução de catástrofes naturais ou crises humanitárias, disponibilizando informação que de alguma forma ajude a prever situações de emergência.
A última versão deste documento, publicada em 2005, foi descarregada por cerca de 8000 internautas.

Fonte: http://aeiou.expresso.pt/esa-divulga-nova-versao-do-seu-mapa-mundo=f623316

Números...

6451


quilómetros quadrados foram desflorestados na Amazónia brasileira entre Agosto de 2009 e Julho de 2010, um número que significa uma redução recorde de 14 por cento em relação aos doze meses anteriores, revelou o Governo brasileiro.

Pequenas coisas...

Visite a exposição de ilustração científica "Os bichos por seu ponto e risco"

Visite até 19 de Janeiro de 2011 a exposição de ilustração científica "Os bichos por seu ponto e risco", da autoria da bióloga Milene Matos, na Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro. A entrada é gratuita.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Impactos das espécies invasoras demoram décadas a ser sentidos

Os animais e as plantas exóticas só se revelam como espécies invasoras prejudiciais décadas depois de terem sido introduzidos, alerta um estudo europeu. Em Portugal, a erva-das-pampas, planta ornamental originária da América Latina, espalhou-se de Norte a Sul nos últimos 15 anos.
As espécies exóticas invasoras, afastadas dos seus predadores naturais nos locais onde são nativas, são um problema que custa todos os anos à Europa 12 mil milhões de euros. Mas talvez a sua real magnitude só venha a ser conhecida várias décadas depois, alertou este estudo que comparou os efeitos de várias espécies em 28 países europeus para identificar quais poderão vir a ser nocivas.
“As sementes de futuros problemas já foram lançadas”, diz o estudo, publicado ontem na revista norte-americana “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
As aves e os insectos são os mais rápidos a instalarem-se nos novos habitats, muito ajudados pela sua mobilidade. Outros demoram muito mais tempo até atingirem populações que causem estragos.
Mas Elisabete Marchante, investigadora do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra lembra que as plantas também têm uma grande capacidade de dispersão. A erva das pampas, espécie que ainda não é oficialmente considerada invasora, é um exemplo. Esta planta com usos ornamentais “tem sementes muito leves que se dispersam muito rapidamente” e hoje pode ser encontrada “do Algarve ao Minho”, contou ao PÚBLICO. Nos últimos dez a 15 anos, a planta – associadas a ecossistemas dunares mas que se encontra em áreas perturbadas como as bermas das auto-estradas - espalhou-se pelo país e, se ainda não faz parte da lista de espécies não indígenas da legislação actual, de 1999, poderá vir a ser integrada, acredita a investigadora. “Já existia em Portugal há muitos anos mas foi nos últimos 15 que aumentou a sua dispersão”. Na revisão da legislação de 1999 (Decreto-lei 565/1999, 21 de Dezembro), que lista 29 espécies de plantas, a erva das pampas poderá ser uma nova entrada.
“Devíamos fazer mais sobre este problema agora”, disse Stefan Dullinger, da Universidade de Viena, Áustria, e um dos autores do estudo que juntou cientistas neozelandeses, checos, alemães, suíços, espanhóis, italianos e franceses. “Caso contrário, as coisas podem piorar muito em relação ao que existia há umas décadas atrás.”
O estudo recomenda que a Europa deveria controlar animais e plantas que ainda não estão a causar danos mas que se sabe que são invasoras em outros habitats.
As alterações climáticas poderão agravar o problema. “Temperaturas mais elevadas poderão ajudar a espalhar as espécies invasoras que agora estão limitadas pelo clima”, lembrou Dullinger.

Helena Geraldes
http://ecosfera.publico.pt/biodiversidade/Details/impactos-das-especies-invasoras-demoram-decadas-a-ser-sentidos_1471999

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O Montado de Sobro e os seus produtos

Convidamo-lo a conhecer alguns dos episódios mais curiosos e interessantes da história do nosso Montado de Sobro. Sabe onde é que foram produzidas as primeiras rolhas? E que uso davam os fenícios à cortiça? Leia e surpreenda-se!
O Montado é um sistema extremamente curioso. No nosso País, é cada vez mais conhecida e reconhecida a sua grande importância ecológica, económica e social. A cortiça, seu principal e mais conhecido produto é um recurso natural renovável, cuja exploração sustenta um ecossistema com uma considerável riqueza e diversidade de espécies de fauna e flora.
É interessante tentar perceber a razão pela qual sobreiro Quercus suber quase se restringe à área das bacias miocénicas do Tejo e Sado. Pensa-se que a sua área de distribuição seria mais alargada em tempos antigos. A origem do seu uso está ainda enevoada nos anais da História. Sabe-se que os fenícios utilizavam-na como utensílio de pesca - bóias. Foi também bastante usada pelos romanos que a chamavam de suber. Encontra-se aí a origem da sua denominação científica em latim. No nosso País, são conhecidas medidas de protecção do sobreiro como a proibição e punição de práticas como as queimadas, o varejamento indiscriminado do fruto, da colheita abundante de rama verde para alimentação do gado e os cortes indevidos.
A transformação industrial da cortiça a uma escala já considerável tem início há aproximadamente 100-150 anos. No princípio do século XIX, é na Catalunha, devido à sua relação com a região de Champanhe, que se dão os primeiros passos na produção de rolhas. Um dos seus factores desencadeantes foi o facto de D. Pierre Pérignon, mestre dispenseiro da abadia de Hautvillers, ter adoptado a cortiça como vedante das garrafas desse vinho espumoso substituindo as lascas de madeira forradas a cânhamo e embebidas em azeite. No entanto, sabe-se pelos levantamentos (inventários) das produções espanholas que, em 1875, não existia esta produção em Cáceres.
De uma forma um tanto ou quanto redutora mas realista, pode-se dizer que o sobreiro acabou por desaparecer onde as necessidades humanas de alimento se fizeram sentir antes de se iniciar a sua exploração. Ele manteve-se em zonas onde o valor agrícola aparece posteriormente ao da cortiça e madeira das congéneres arbóreas. Sabe-se, por exemplo, que para cada nau construída, utilizavam-se cerca de 5 ha de sobreiros. É evidente que esta estimativa omite o porte das árvores e a densidade do povoamento onde se encontravam. É, no entanto, interessante conhecer esta utilização adicional e dá nos uma indicação do papel relevante que desempenhou na expansão marítima portuguesa. A azinheira era usualmente preterida a favor do sobreiro por a sua madeira ser de mais difícil manuseamento para os carpinteiros e marceneiros.
A cortiça tem a curiosidade adicional de ter mantido o seu valor ao longo deste século. A intervenção humana como factor produtivo é muito superior ao que a maior parte das pessoas pensam. O montado, contrariando a comum ideia idílica de área natural, é um sistema artificial e antropomórfico, partilhando esta característica com, por exemplo, as vinhas do Douro. Sem esta constante intervenção humana, grande parte dos sobreiros teriam um porte arbustivo e existiriam apenas sobreirais e não montados.
Um momento histórico que, com as suas conhecidas vicissitudes, acabou por ter um efeito positivo no alargamento da área de montado foi a campanha do trigo. Ela foi a responsável pela instalação da maior mancha de sobro portuguesa. À medida que as terras iam sendo arroteadas, os agricultores iam largando e enterrando, em intervalos espaciais mais ou menos regulares, uma bolota. A área de ocupação do sobreiro cresceu desde os 300 000 ha no início deste século até aos cerca de 720 000 hectares que ocupava em 1995. É interessante referir que esta área representa 7.8% da área total de Portugal continental.
Durante a Segunda Guerra Mundial, foi instalado nos Estados Unidos da América (EUA), no estado da Califórnia um povoamento de sobreiros. Estes produzem cortiça de baixa qualidade. Durante este conflito, particularmente na sua fase inicial onde tudo parecia favorável para o lado das forças do eixo, os EUA não sabiam bem que partido Portugal tomaria. Resolveram assim garantir para eles uma reserva de cortiça. Isto pelas vantagens tecnológicas que possui - elevada elasticidade, compressibilidade, imputrescibilidade, capacidade de isolamento, baixa densidade e fraca permeabilidade. Ela é o único produto que pode ser comprimido milhões de vezes e retomar a forma original, característica muito importante e necessária para alguns componentes de alta tecnologia para fins bélicos ou civis.

Nuno Cruz António
In http://naturlink.sapo.pt/article.aspx?menuid=3&cid=3251&bl=1&viewall=true#Go_1

terça-feira, 29 de junho de 2010

Nove associações ambientalistas boicotam fundo da EDP para projectos na área da biodiversidade

Nove organizações não-governamentais (ONG) de ambiente irão boicotar, pelo segundo ano consecutivo, um fundo da EDP para projectos na área da biodiversidade, em protesto contra a forma como a empresa tem promovido a construção de grandes barragens.
Desde o ano passado que várias ONG de ambiente vêm criticando uma campanha publicitária lançada pela EDP, na qual as barragens aparecem associadas à protecção da natureza e à preservação da biodiversidade.
As nove organizações - Associação Cívica Pró-Tâmega, Associação de Defesa da Praia da Madalena, Associação Amigos do Vale do Rio Tua, CEAI, Coagret, FAPAS, GAIA, GEOTA e Quercus - acusam a EDP de ser "um dos principais promotores da destruição dos rios e da biodiversidade em Portugal" e de assumir uma "postura hipócrita" com a sua campanha.
Por isso, nenhuma dessas organizações irá concorrer ao Fundo EDP Biodiversidade, lançado em 2008 e que distribui 500 mil euros por ano a projectos nessa área.
A EDP tem cinco projectos de novas barragens em curso (Baixo Sabor, Foz Tua, Fridão, Alvito e Ribeiradio). Os ambientalistas argumentam que o uso eficiente da energia permite poupar a mesma electricidade que será produzida pelos novos empreendimentos.
Contactada pelo PÚBLICO, a EDP declarou, numa comunicação enviada por e-mail, que o seu fundo para a biodiversidade "está disponível para as instituições que livremente se queiram associar a uma missão que é de todos e que ganha uma importância acrescida tratando-se do ano internacional para a biodiversidade". A EDP não respondeu a questões concretas do PÚBLICO acerca das críticas dos ambientalistas e do boicote em si.
O Fundo EDP para a Biodiversidade tem um total de 2,5 milhões de euros, para serem aplicados até 2011 no conhecimento científico e na conservação da biodiversidade. Em 2008 e 2009, três projectos em cada ano foram seleccionados, entre mais de uma centena de candidatos.

Ricardo Garcia
In http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1444318

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Investigadora portuguesa recebe prémio internacional por trabalhos na Antárctida

A investigadora Vanessa Batista, do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, foi premiada na maior conferência internacional sobre ciência polar, que decorreu no início do mês em Oslo, pelo seu trabalho sobre o permafrost, o solo permanentemente gelado, na Antárctida.
Vanessa Batista recebeu a distinção “Outstanding Presentation for Early Career Scientists”, na categoria “Mudanças passadas, presentes e futures nas regiões polares”, informou o Comité Polar Português. A investigadora foi um dos 12 jovens cientistas seleccionados de um total de 750.
“Este prémio vem reconhecer a importância do trabalho de Vanessa Batista realizado na ilha Deception na Antárctida Marítima, sobre os factores que controlam a camada activa do permafrost, a nível espacial e temporal”, justifica o Comité português.
A investigação de Batista, que contou com o apoio de colegas espanhóis e argentinos, pretendeu compreender as influências da altitude e de outros factores na espessura das camadas de gelo naquela ilha vulcânica. Para isso foram instaladas estações de medição da espessura do permafrost a várias altitudes e as observações decorreram durante os Verões na Antárctida de 2009 e 2010.
O prémio foi atribuído durante a maior conferência polar de sempre (de 8 a 12 de Junho), onde participaram 2300 cientistas de todo o mundo, para apresentar os primeiros resultados do Ano Polar Internacional (2007-2009). Portugal esteve representado por onze investigadores de várias instituições.
Gonçalo Vieira, do Comité Português para o Ano Polar Internacional, explicou ao PÚBLICO que, durante o Ano Polar, “houve áreas em que se avançou bastante”, como o conhecimento da quantidade de carbono armazenado no permafrost do Árctico e o estudo do mar gelado no Antárctico e no Árctico e nas suas reacções em cenários de aquecimento global. Além disso, “pela primeira vez, houve uma interacção muito forte entre as ciências sociais e as outras ciências, bem como com os povos do Árctico. Este esforço ajudou a conhecer muito melhor os problemas destes povos e também aspectos relacionados com mudanças ambientais difíceis de quantificar”, considerou.

Oceano austral e permafrost entre as maiores contribuições portuguesas

O Ano Polar Internacional ajudou a promover a investigação portuguesa nestas regiões. Desde a aprovação do Programa Polar Português, em Dezembro de 2007, dezenas de cientistas têm contribuído para aumentar o conhecimento polar. Entre as áreas com maiores contribuições portuguesas estão o estudo do ecossistema do Oceano Austral e o estudo do permafrost antárctico, referiu.
Acima de tudo, Gonçalo Vieira considera que o Ano Polar Internacional “fez com que a comunidade se unisse. Dinamizaram-se muitíssimas colaborações internacionais nos dois pólos” e “ofereceram-se bolsas para formação de jovens investigadores”, ajudando a atrair investigadores para as regiões polares.
Agora, no final da iniciativa, o investigador considera importante não perder o “momentum” e conseguir “potenciar o investimento, em especial aquele que foi feito ao nível das redes de monitorização e de recursos humanos”. “Em Portugal, por exemplo, conseguimos criar massa crítica e ampliar muito o interesse pela ciência polar; agora é necessário, de forma sustentada, estruturar um programa polar sólido que permita manter as equipas que se enquadraram muito bem em grupos multinacionais, e que são competitivas, a trabalhar de forma continuada”. Neste âmbito está a ser criada uma plataforma inovadora de partilha de dados polares, a Polar Information Commons, para arquivar e partilhar dados de investigação.

Helena Geraldes
In http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1441980

Reino Unido enfrentará crise alimentar se não ajudar as abelhas

O Governo britânico lançou hoje um projecto, orçado em 10 milhões de libras (11,9 milhões de euros), para descobrir como travar o desaparecimento de abelhas e outros insectos polinizadores no país. Dentro de uma geração, poderá ter em mãos uma crise alimentar, alertam os cientistas.
As abelhas estão a desaparecer do Reino Unido a um ritmo mais elevado do que em qualquer outro país europeu. Segundo o jornal “Daily Telegraph”, mais de metade das colmeias morreu nos últimos 20 anos.
Estes animais, bem como outros insectos, polinizam e fertilizam as plantas das quais tiramos alimentos, como maçãs e abóboras, e são o garante da qualidade de frutos e legumes. Por exemplo, o “The Guardian” sublinha que o número de sementes de uma abóbora depende do número de espécies de insectos que polinizaram a planta.
Assim, mais do que conservar a biodiversidade, o programa “Insect Pollinator Initiative” – que inclui nove projectos de investigação, a decorrer ao longo de cinco anos - pretende responder a um problema de segurança alimentar, comentou Matt Shardlow, director-executivo da organização Buglife. Este será o maior estudo realizado naquele país sobre as razões do desaparecimento dos insectos.
Tanto mais que se estima que o serviço prestado por estes insectos polinizadores represente um valor de 440 milhões de libras (526 milhões de euros) para a economia britânica. Dito de outra forma, se todos os insectos polinizadores desaparecessem do Reino Unido, as quebras de produtividade agrícola custariam à economia britânica 440 milhões de libras por ano.
Segundo o “Daily Telegraph”, a Universidade de Dundee vai investigar se alguns pesticidas danificam o sistema nervoso das abelhas, impedindo-as de encontrar as melhores fontes de alimento ou afectando a sua capacidade para se alimentarem e regressarem à colmeia.
Já a Universidade de Bristol vai analisar se as abelhas “gostam” mais de ambientes urbanos ou de “monoculturas” de plantações em espaços rurais. A investigadora Jane Memmott vai identificar os locais mais ricos em espécies de insectos polinizadores em Bristol, Reading, Leeds e Edimburgo.
Lorde Henley, ministro do Ambiente, explicou que estes projectos visam perceber as razões do desaparecimento das abelhas e apresentar formas para aumentar as suas populações. “As abelhas, e as borboletas têm um papel essencial para que tenhamos comida na nossa mesa, através da polinização de muitas plantações vitais. Esta iniciativa vai ajudar-nos a identificar por que razão estão os números das abelhas a diminuir e o que nos pode ajudar a tomar as medidas certas”, comentou, citado pelo “Daily Telegraph”.

Fonte: http://ecosfera.publico.pt/biodiversidade/Details/reino-unido-enfrentara-crise-alimentar-se-nao-ajudar-as-abelhas_1443124

terça-feira, 16 de março de 2010

O mundo pode não estar a aquecer?

Vários cientistas especializados no estudo do clima afirmam que não é o planeta que está a aquecer, mas são as estações climáticas que estão cada vez mais rodeadas de poluição e construções e que, por isso, assinalam aumentos de temperatura. Os investigadores afirmam que as alterações sentidas actualmente não são uma novidade na história do planeta e ocorrem pelo duas vezes nos últimos mil anos.

In:Revista NS de 20/02/2010, p.12
Foto: http://eb23pfsoares-m.ccems.pt/file.php/1/ecoportal/Recursos_Hidricos/Recursos_Hidricos/images/calote%20polar.jpg

domingo, 11 de maio de 2008

Cortina com Plástico de Garrafas

O que costuma fazer às garrafas de água ou de sumo de plástico? Separa-as para serem recicladas? Muito bem! Mas, poderá dar-lhes outro aproveitamento. Através delas é possível criar bonitas cortinas anti-mosquitos.


Materiais:

- Garrafas de plástico de 1.5 L

- Tesoura

- Agrafador

- Varão para cortinas


Procedimento:

1. Com a tesoura corte a garrafa de um lado ao outro transversalmente a 3 cm da base.

2. Repita este processo até chegar ao topo da garrafa.

3. Corte a meio metade das argolas que obteve.

4. Entrelace-as às argolas fechadas e feche-as com o agrafador.

5. Faça isso várias vezes até atingir o comprimento desejado.

6. Coloque as argolas num varão para cortina e o trabalho está pronto.


Nota: Poderá fazer uma cortina de uma só cor ou conjugar várias garrafas e obter uma multicolorida. Caso pretenda argolas de menor diâmetro, opte por garrafas de menor capacidade.

Ozono: benéfico ou prejudicial?

O ozono (O3) é um composto químico com efeitos prejudiciais para os seres vivos quando se encontra junto à superfície terrestre: provoca irritações nos olhos e tracto respiratório, é o componente principal do nevoeiro fotoquímico e actua como gás com efeito de estufa.
No entanto, é ao nível da estratosfera (entre 25 a 30 Km da superfície terrestre) que se encontra 90% deste composto, constituindo a chamada camada de ozono, que assume um papel fundamental na protecção da vida na Terra: absorve mais de 95% das radiações ultravioleta (UV), impedindo que estas atinjam a superfície terrestre em quantidades elevadas.
Em quantidades muito pequenas, as radiações UV são úteis à vida, contribuindo para a produção da vitamina D, indispensável ao normal desenvolvimento dos ossos. No entanto, a exposição prolongada e sem protecção a radiação UV causa anomalias nos seres vivos, podendo levar ao aparecimento de cancro da pele, deformações, atrofia e cegueira assim como à diminuição das defesas imunológicas, favorecendo o aparecimento de doenças infecciosas e em casos extremos, à morte. A radiação UV pode também diminuir a taxa de crescimento de plantas e aumentar a degradação de plásticos.
Anualmente e a nível mundial, surgem cerca de 3 milhões de novos casos de cancro da pele e morrem 66 000 pessoas com esse tipo de cancro. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Ambiente, a redução de apenas 1% na espessura da camada de ozono é suficiente para a radiação UV cegar 100 mil pessoas por catarata e aumentar os casos de cancro da pele em 3%.


Buraco do ozono





Nos anos 80, confirmou-se a destruição progressiva da camada do ozono, com a sua consequente rarefacção, designada por buraco do ozono. Esta diminuição de espessura da camada de ozono facilita a passagem das radiações UV para a superfície terrestre e deve-se principalmente à reacção de moléculas de ozono com radicais de bromo ou cloro, na estratosfera, destruindo-as e consequentemente reduzindo a espessura da camada de ozono. Outros gases, como o óxido de azoto (NO) libertado pelos aviões na estratosfera, também contribuem para a destruição da camada do ozono.

Todos os produtos químicos que destroem a camada de ozono têm duas propriedades comuns: são estáveis e contêm elementos de cloro ou de bromo, como os clorofluocarbonetos (CFC) e o brometo de metilo. A sua estabilidade permite-lhes atingir a estratosfera inalterados, sendo só então quebradas as suas moléculas por acção da radiação UV e libertados os radicais (de cloro ou bromo).

Buraco do Ozono e Efeito de Estufa
A diminuição do ozono estratosférico e as alterações climáticas são problemas ambientais distintos, causados principalmente pela actividade humana e interrelacionando-se de várias formas:
· As substâncias que causam a destruição da camada do ozono, como os CFCs também contribuem para o efeito de estufa;
· A camada de ozono permite manter o balanço de temperatura no planeta Terra. Pensa-se que a rarefacção desta camada reduz o efeito de estufa;
· O aumento de exposição da superfície terrestre a raios UV pode alterar a circulação dos gases com efeito de estufa, aumentando o aquecimento global. Em particular, prevê-se que o aumento de UV suprima a produção primária nas plantas terrestres e no fitoplâncton marinho, reduzindo a quantidade de dióxido de carbono que absorvem da atmosfera;
· Prevê-se que o aquecimento global conduza a um aumento médio das temperaturas na troposfera, podendo arrefecer a estratosfera e, consequentemente, aumentando a destruição da camada de ozono (temperaturas baixas favorecem reacções de destruição do ozono).


Antárctida e Mundo


Desde a descoberta do fenómeno de destruição da camada de ozono nos anos 80, que os satélites têm monitorizado a concentração do ozono estratosférico no planeta Terra, como é o caso do Envisat, da Agência Espacial Europeia, lançado em Março de 2002, e utilizado actualmente para essa missão, elaborando modelos de previsão a partir de dados recebidos. Na figura seguinte pode visualizar as previsões de concentração de ozono estratosférico no mundo, para o dia de hoje.

Apesar dos gases que prejudicam a camada de ozono serem emitidos em todo o mundo - 90% no hemisfério norte e principalmente resultantes da actividade humana - é na Antárctida que a falha na camada de ozono é maior, abrindo-se, anualmente, no Pólo Sul, o buraco do ozono.

A área do buraco de ozono é definida como o tamanho da região cujo ozono está abaixo das 200 unidades Dobson (DUs - unidade de medida que descreve a espessura da camada de ozono numa coluna directamente acima de onde são feitas as medições): 400 DUs equivale a 4 mm de espessura. Antes da Primavera na Antárctica, a leitura habitual é de 275 DUs.

As constantes temperaturas frias do Inverno que se sentem no Pólo Sul contribuem para a formação de nuvens polares estratosféricas que incluem moléculas contendo cloro e bromo. Quando a Primavera polar chega (Setembro), a combinação da luz solar com aquelas nuvens leva à formação de radicais de cloro e bromo que quebram as moléculas de ozono, com consequente destruição da camada do ozono.

Quanto mais frio é o Inverno antárctico mais afectada é a camada do ozono. Em 2002, o Inverno particularmente quente provocou o menor buraco de ozono desde 1988, como se pode ver na seguinte figura.

Área e duração de ozono anual no hemisfério Sul


O buraco do ozono persiste normalmente até Novembro/Dezembro, quando as temperaturas regionais aumentam. O tempo exacto e amplitude do buraco de ozono na Antárctida depende de variações meteorológicas regionais.

O buraco do ozono não se restringe à Antárctida. Um efeito similar, mas mais fraco, tem sido detectado no Árctico e também noutras regiões do planeta, a camada de ozono tem ficado mais fina, permitindo a intensificação dos raios UV e o aparecimento de novos buracos que poderão surgir sobre qualquer latitude.

Protocolo de Montreal

O único método conhecido de protecção da camada do ozono é limitar a emissão dos produtos que o danificam e substitui-los por outros mais amigos do ambiente, como os clorohidrofluorcarbonetos, que contêm pelo menos um hidrogénio, susceptível de ser atacado na atmosfera.

Assim sendo, mais de 60 países assinaram, em 1987, o Protocolo de Montreal , comprometendo-se a reduzir em 50% o uso de CFC até finais de 1999. Na Conferência de Londres, em 1990, concordou-se em acelerar os processos de eliminação dos CFC, impondo a paragem total da produção até ao ano de 2000, tendo sido criado um fundo de ajuda aos países em desenvolvimento para esse fim. Os Estados Unidos, Canadá, Suécia e Japão anteciparam essa data para 1995 e a UE decidiu parar com a produção até Janeiro de 1996.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, o Protocolo de Montreal tem dado bons resultados, uma vez que foi registada uma lenta diminuição da concentração de CFC na baixa atmosfera após um máximo registado no período de 1992/1994. Em Fevereiro de 2003, cientistas neozelandeses anunciaram que o buraco na camada de ozono sobre a Antárctida poderá estar fechado em 2050, como resultado das restrições internacionais impostas contra a emissão de gases prejudiciais.

Sem a forte adesão ao Protocolo, os níveis de substâncias prejudiciais para o ozono seriam cinco vezes maiores do que são hoje. Mesmo assim, a luta pela restauração da camada de ozono tem de continuar, pois aquelas substâncias têm um tempo de vida longo – um radical de bromo ou de cloro pode participar em cerca de 100 000 reacções com o ozono na estratosfera, destruindo-o, antes de voltar para a troposfera. Os cientistas prevêem que o aparecimento anual do buraco do ozono no Pólo Sul dure ainda vários anos.

O êxito do Protocolo de Montreal evidencia o sucesso da cooperação entre países e organizações internacionais para um fim comum. Só o cumprimento integral e continuado das disposições do Protocolo por parte dos países desenvolvidos e dos países em desenvolvimento poderá garantir a recuperação total da camada de ozono.

De acordo com a Quercus, Portugal é um dos países da UE que mais contribui para a destruição da camada do ozono: em 2004, Portugal recuperou cerca de 0.5% dos CFC existentes nos equipamentos em fim de vida, como frigoríficos, arcas congeladoras e aparelhos de ar condicionado. A não remoção e tratamento dos CFC ainda presentes nos equipamentos mais antigos, conduz à libertação para a atmosfera de 500 toneladas anuais, segundo a Quercus.