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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Portugal é dos países onde menos se consome 'fastfood'

Fotografia © Pedro Saraiva-Global Imagens

Portugal, nos países desenvolvidos, está entre aqueles que apresentam menor obesidade e menor consumo de fastfood, segundo um estudo divulgado Organização Mundial da Saúde (OMS), que estuda a obesidade, hábitos de consumo e a liberalização comercial de bens alimentares.
Este é o primeiro estudo que investiga o papel da liberalização dos mercados no consumo de comida rápida (fastfood) e no aumento do índice de massa corporal (IMC), incluindo pela primeira vez o número de transações da chamada fastfood.
"Portugal encontra-se entre os países com menor níveis de consumo de comida rápida e com menor IMC", diz o estudo da OMS, que toma por referência dados de 2008, para os diferentes países, altura em que Portugal apresentou o segundo menor número de "transações 'per capita', entre os países selecionados neste estudo", segundo o professor Roberto De Vogli, da Universidade da Califórnia (UC Davis), principal autor do relatório.
O estudo analisou os dados de 1999 a 2008, de 25 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), com o objetivo de observar o vínculo entre a obesidade e a liberalização do mercado de bens alimentares.
"O nosso estudo indica que todos países conheceram um aumento no consumo de comidas rápidas e do IMC [dos seus cidadãos], mas os países que desregularam gradualmente e minimamente as suas economias, conheceram um incremento mais lento do consumo de comida rápida e do IMC", disse à Lusa Roberto De Vogli.
No caso de Portugal, a economia, ao longo deste período, esteve ainda protegida em termos de regulação alimentar, o que minimizou o aumento da obesidade e do consumo de fastfood. "Portugal é a quarta economia mas regulada entre os países da OCDE", disse o professor, tendo em conta o período em causa.
Portugal aplicou políticas de mercado mais restritivas, sendo possível estabelecer uma relação com um impacto menor, nos níveis de obesidade, ao contrário de outros países do estudo, dominados por oligopólios alimentares, nos quais as políticas de liberalização, incluem entre outros, menos subsídios agrícolas, menos taxas, menos controlo dos preços e fiscalizações débeis, em termos alimentares.
Roberto De Vogli, em declarações à Lusa, explica, por exemplo, que "Portugal tem um IMC muito inferior aos países anglo-saxónicos, como os Estados Unidos, Canadá e Austrália, com mercados mais desregulados, e onde o consumo de comida rápida e a prevalência da obesidade são superiores".
Por outro lado, as explorações agrícolas em Portugal tendem a ser mais pequenas, sendo geralmente mais saudáveis, em relação aos países com economias dominadas por grandes grupos económicos agroalimentares.
"Países com explorações agrícolas de tamanho menor tendem a registar aumentos menores no consumo de comidas rápidas e na obesidade", esclarece o professor Roberto de Vogli.
O investigador adianta, no entanto, que "é preciso mais investigação", para se chegar a uma conclusão efetiva, sobre a relação dos fatores, embora tudo indique que "um sistema de agricultura baseado em pequenas explorações e com setores mais protegidos", em termos de regulação e fiscalização, "possa explicar por que motivo o consumo de comida rápida é baixo em Portugal".
As conclusões gerais deste estudo indicam que existe uma relação direta entre políticas pró liberalização dos mercados, o aumento de consumo de comida rápida e de obesidade.
O estudo apela, por isso, à aplicação de medidas que melhorem a etiquetagem dos alimentos e que limitem a produção e o comércio de alimentos processados, como a chamada fastfood, e a sua publicidade.

por Lusa
Fonte: http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=3665289&seccao=Sa%FAde&page=-1

Estudo identifica proteína capaz de gerar cancro do fígado


Um estudo com peixes zebra identificou um novo oncogene, a proteína UHRF1, capaz de gerar cancro do fígado, revelou ontem um estudo publicado na revista Cancer Cell.
Os peixes zebra são considerados uma das melhores espécies para se investigar sobre os genes humanos, porque os seus órgãos desenvolvem-se de maneira parecida.
No estudo, os cientistas, nomeadamente do Instituto de Investigações Biomédicas August Pi i Sunyer do Hospital Clínico de Barcelona, em Espanha, descobriram que a proteína UHRF1 e a sua exposição excessiva estão implicadas no desenvolvimento do carcinoma hepatocelular.
Nos humanos, a UHRF1 manifesta-se em excesso em 40 a 50 por cento dos doentes com cancro do fígado e está associada a um mal prognóstico.
O carcinoma hepatocelular é um tipo de cancro do fígado que representa cerca de 80 por cento dos tumores hepáticos malignos.
Após seis anos de trabalho, os investigadores, não só de Espanha, mas também do Reino Unido e dos Estados Unidos, identificaram, pela primeira vez, a proteína UHRF1 como um oncogene - gene relacionado com o aparecimento de tumores - combinando um modelo de cancro em peixe zebra, com dados de tumores humanos.
No estudo, 75 por cento dos 300 peixes zebra expostos em excesso a UHRF1 desenvolveram tumores em 20 dias, tendo os cientistas identificado uma sobre-exposição ao mesmo oncogene em quase 50 por cento dos doentes com cancro do fígado, analisados, com pior prognóstico.

por Lusa, texto publicado por Paula Mourato
Fonte: http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=3661407&seccao=Sa%FAde&page=-1

Antioxidantes não trazem benefícios seguros



Os antioxidantes, usados em grande popularidade nas últimas décadas, aceleram a progressão do cancro de pulmão nos ratos e não trazem benefícios seguros para os seres humanos sãos, segundo um artigo publicado hoje na revista Science Translational.
"Os antioxidantes usam-se amplamente para proteger as células dos danos induzidos por espécies reativas do oxigénio", explica a equipa de investigadores, liderada por Volkan Sayin, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia.
"O conceito de que os antioxidantes podem ajudar a combater o cancro está muito arreigado na população mundial, promovido pela indústria dos suplementos alimentares e sustentado por alguns estudos científicos", lê-se no artigo citado pela agência noticiosa Efe.
Todavia as provas clínicas "deram resultados incoerentes", acrescenta.
Os compostos químicos conhecidos como antioxidantes atrasam certos tipos de danos celulares impedindo a acumulação de moléculas da espécie reativa de oxigénio (ERO) que pode causar danos às células.
Entre estes antioxidantes estão a vitamina A, que pode obter-se nas cenouras, abóbora, brócolos, batata-doce, tomate, couve, melão, pêssegos e outros, e vitamina C, presente nas laranjas, limas, limões, pimentos vermelhos, vegetais de folhas verdes, morangos e framboesas.
A vitamina E, por seu lado, está presente nos frutos secos e sementes, graos integrais, azeite, óleo de fígado, assim como outro antioxidante, o selénio, pode ser obtido a partir de peixe e do marisco, carne vermelha, ovos, frango e alho.
O estudo sueca indica que os antioxidantes aceleram a progressão do cancro de pulmão nos ratos de laboratório e em linhas de células humanas.
As conclusões do estudo, segundo a Efe, indicam que as pessoas que têm pequenos tumores no pulmão não diagnosticados -- o que é possível em qualquer pessoa, especialmente nos fumadores - deveriam evitar os suplementos antioxidantes.

por Lusa, texto publicado por Paula Mourato
Fonte: http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=3659341&seccao=Sa%FAde&page=-1

Descoberta possível cura para alergia a amendoins


Fotografia © DR
Uma equipa de médicos do Hospital de Addenbrooke, em Cambridge, treinou o sistema imunitário de crianças alérgicas a amendoins dando-lhes diariamente doses mínimas de proteína de amendoim. Seis meses depois, estas já conseguiam comer cinco amendoins
Os amendoins são a causa mais comum de reações alérgicas fatais a alimentos.
O estudo, cujos resultados foram publicados na revista Lancet, sugere que o sistema imunitário das crianças pode ser treinado para tolerar os amendois. Todos os dias, os 85 pacientes que participaram no estudo tinham que ingerir proteína de amendoim. Inicialmente, a dose era o equivalente a 1/70 de um amendoim.
A cada 15 dias, a dose era aumentada, com as crianças no hospital caso houvesse reação alérgica. O tratamento continuava em casa.
Segundo o estudo, 84% das crianças alérgicas aprenderam a tolerar os amendoins, sendo capazes de comer cinco amendoins passado seis meses.
"É um potencial tratamento e o próximo passo é torná-lo acessível a todos os pacientes, mas há custos elevados, em criar centros espacializados, treinar pessoal e produzir amendoins num elevado nível de qualidade", afirmou um dos investigadores, Andrew Clark, à BBC.
Apesar dos resultados positivos, os médicos alertam para o facto de ser perigoso tentar aplicar esta solução sem supervisão. Além disso, 60% das pessoas que são alérgicas a amendoins, são alérgicas a outras nozes também, pelo que têm sempre que manter cuidados redobrados em relação às etiquetas dos alimentos.
"O estudo foi uma grande experiência e aventura. Mudou a minha vida e diverti-me muito, mas ainda odeio amendoins", afirmou uma das crianças, Lena Barden, de 11 anos, citada pela BBC.

por Susana Salvador
Fonte:http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=3659571&seccao=Sa%FAde&page=-1

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Terapia genética conseguiu travar cancro da mama em ratinhos

    Uma equipa de investigadores da Faculdade Médica de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos, silenciou a actividade de um gene em células do tecido mamário de ratinhos, que é importante para o desenvolvimento do cancro da mama. Estas células estavam a percorrer o caminho para se tornarem cancerosas, mas a terapia genética conseguiu reverter o processo e normalizá-las. Publicada na revista Science Translational Medicine, a descoberta poderá vir a ser aplicada no combate ao cancro da mama. O trabalho, liderado por Donald Ingber, centrou-se nas células dos ductos mamários, por onde passa o leite. “Apesar de haver algumas excepções, a maioria dos cancros da mama [cerca de 75%] aparece nas células epiteliais dos ductos”, disse ao PÚBLICO o investigador e fundador do Instituto Wyss para a Engenharia Inspirada na Biologia, da Universidade de Harvard. Muitas vezes, são detectadas lesões nas células do epitélio dos ductos mamários, que podem desenvolver-se em cancros. Mas o problema é identificar quais as lesões que efectivamente estão nesse caminho. Como a medicina ainda não é capaz de fazer essa triagem, recorre-se a soluções drásticas como a radioterapia ou mesmo a mastectomia, dois tratamentos violentos com efeitos secundários a nível físico e psicológico. Por isso, uma avaliação feita por especialistas em cancro da mama, publicada em 2007, “identificou a necessidade urgente de se desenvolverem terapias minimamente invasivas que possam ser direccionadas directamente para o epitélio do ducto, de forma a prevenir a progressão de lesões pré-malignas sem produzir uma toxicidade sistémica”, lê-se no artigo.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sida: anticorpos travam vírus e abrem caminho a vacina

Mais de 90% das variantes do vírus VIH são bloqueadas em laboratório por moléculas e não infectam células.
Uma equipa internacional, coordenada por investigadores dos National Institute of Health, dos Estados Unidos, descobriu dois anticorpos que conseguem bloquear em laboratório a maior parte das variantes conhecidas do vírus VIH. A descoberta abre uma via nova nas pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina contra a sida, garantem os cientistas.
Mais de um quarto de século depois da identificação do VIH, que já fez 30 milhões de vítimas mortais até hoje, a procura de uma vacina contra a doença permanece um objectivo por cumprir, apesar dos enormes esforços da comunidade internacional e dos recursos mobilizados para a investigação nesse sentido.
A descoberta destes dois antigénios (moléculas que desencadeiam mecanismos de defesa por parte do organismo), que foram baptizados como VRCO1 e VRCO2, parecem muito promissores - pelo menos no laboratório.
Os cientistas observaram que eles impedem a infecção das células humanas por mais de 90% das variedades do VIH actualmente em circulação e com uma eficácia que nunca antes tinha sido observada.
Além disso, os investigadores conseguiram também desmontar o processo através do qual os anticorpos conseguem bloquear a acção do vírus.
A equipa norte-americana utilizou uma nova abordagem de trabalho, com uma proteína modificada do VIH, de forma que ela se fixasse em células específicas que produzem anticorpos para neutralizar o vírus.
Foi assim que descobriram os dois novos anticorpos, que são naturalmente produzidos no organismo dos seropositivos, como verificaram.
Os investigadores já começaram a desenvolver compostos de uma potencial vacina que induza o organismo a produzir grandes quantidades de anticorpos daquele tipo. A descoberta é publicada hoje revista Science.

Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1614043&seccao=Sa%FAde

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Reino Unido enfrentará crise alimentar se não ajudar as abelhas

O Governo britânico lançou hoje um projecto, orçado em 10 milhões de libras (11,9 milhões de euros), para descobrir como travar o desaparecimento de abelhas e outros insectos polinizadores no país. Dentro de uma geração, poderá ter em mãos uma crise alimentar, alertam os cientistas.
As abelhas estão a desaparecer do Reino Unido a um ritmo mais elevado do que em qualquer outro país europeu. Segundo o jornal “Daily Telegraph”, mais de metade das colmeias morreu nos últimos 20 anos.
Estes animais, bem como outros insectos, polinizam e fertilizam as plantas das quais tiramos alimentos, como maçãs e abóboras, e são o garante da qualidade de frutos e legumes. Por exemplo, o “The Guardian” sublinha que o número de sementes de uma abóbora depende do número de espécies de insectos que polinizaram a planta.
Assim, mais do que conservar a biodiversidade, o programa “Insect Pollinator Initiative” – que inclui nove projectos de investigação, a decorrer ao longo de cinco anos - pretende responder a um problema de segurança alimentar, comentou Matt Shardlow, director-executivo da organização Buglife. Este será o maior estudo realizado naquele país sobre as razões do desaparecimento dos insectos.
Tanto mais que se estima que o serviço prestado por estes insectos polinizadores represente um valor de 440 milhões de libras (526 milhões de euros) para a economia britânica. Dito de outra forma, se todos os insectos polinizadores desaparecessem do Reino Unido, as quebras de produtividade agrícola custariam à economia britânica 440 milhões de libras por ano.
Segundo o “Daily Telegraph”, a Universidade de Dundee vai investigar se alguns pesticidas danificam o sistema nervoso das abelhas, impedindo-as de encontrar as melhores fontes de alimento ou afectando a sua capacidade para se alimentarem e regressarem à colmeia.
Já a Universidade de Bristol vai analisar se as abelhas “gostam” mais de ambientes urbanos ou de “monoculturas” de plantações em espaços rurais. A investigadora Jane Memmott vai identificar os locais mais ricos em espécies de insectos polinizadores em Bristol, Reading, Leeds e Edimburgo.
Lorde Henley, ministro do Ambiente, explicou que estes projectos visam perceber as razões do desaparecimento das abelhas e apresentar formas para aumentar as suas populações. “As abelhas, e as borboletas têm um papel essencial para que tenhamos comida na nossa mesa, através da polinização de muitas plantações vitais. Esta iniciativa vai ajudar-nos a identificar por que razão estão os números das abelhas a diminuir e o que nos pode ajudar a tomar as medidas certas”, comentou, citado pelo “Daily Telegraph”.

Fonte: http://ecosfera.publico.pt/biodiversidade/Details/reino-unido-enfrentara-crise-alimentar-se-nao-ajudar-as-abelhas_1443124

domingo, 4 de outubro de 2009

Espaço - Saturno


A mais longa tempestade do sistema solar está em curso em Saturno

A violenta tempestade, que começou em meados de Janeiro de 2009 na atmosfera do planeta Saturno e prosseguiu sem interrupção durante oito meses, é a mais longo observada até agora no sistema solar, noticiaram hoje astrónomos.
Esta tempestade é a nona observada pela sonda norte-americana Cassini em órbita à volta de Saturno desde 2004, segundo resultados apresentados durante o congresso europeu de planetologia que decorre esta semana em Potsdam, perto de Berlim.

Estes fenómenos atmosféricos, susceptíveis de se estenderem por uma zona de três mil quilómetros de diâmetro, ocorrem habitualmente numa região baptizada como «a Avenida das tempestades» pelos cientistas, que está situada a 35 graus a Sul do equador de Saturno.

As descargas eléctricas causadas pelas tempestades de Saturno desencadeiam a emissão de ondas rádio dez milhares de vezes mais fortes do que as das tempestades terrestres, precisaram astrónomos num comunicado.

«Estas tempestades não são apenas espantosas pela sua potência e longevidade mas as ondas rádio que eles emitem são também úteis para estudar a ionosfera de Saturno», assinala Georg Fischer da Academia das Ciências austríaca que participa nas observações conduzidas por uma equipa de cientistas austríacos, norte-americanos e franceses.

Os níveis de ionização desta camada da atmosfera, lidos graças ao instrumento RPWS de Cassini (que recolhe dados de ondas de rádio e de plasma), são cerca de cem vezes mais elevados na face diurna do que na face nocturna, o que confirma dados da sonda Voyager captados em 1980 e 1981.

A anterior tempestade de longa duração sobre Saturno ocorrera entre Novembro de 2007 e Julho de 2008.

Fonte: Lusa / SOL

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Estudada planta do deserto que se rega a si própria

É um mecanismo de sobrevivência único no mundo. Cientistas israelitas descobriram numa das zonas mais áridas do país uma planta que consegue irrigar-se, acumulando água nas enormes folhas e encaminhando-a para a raiz. O ruibarbo do deserto consegue assim obter 16 vezes mais água do que as outras espécies vizinhas.

Nas montanhas de Israel há uma planta que se rega a si própria. As folhas do ruibarbo do deserto permitem-lhe recolher 16 vezes mais água do que outras plantas da região. Investigadores da Universidade de Haifa-Oranim estudaram este mecanismo de sobrevivência único no mundo.

A planta cresce nas montanhas do deserto de Negev, no Sul do país, onde a precipitação média anual é muito baixa, rondando os 75 mm. Mas ao contrário de outras espécies das regiões tórridas, que têm folhas pequenas para minimizar a perda de água por evaporação, as folhas do ruibarbo que rodeiam a flor podem atingir um metro de diâmetro.

Foi essa característica que despertou a atenção da equipa de investigadores. Simcha Lev-Yadun, Gidi Ne'eman e Gadi Katzir, que estudavam a região com os seus alunos de Biologia.

Além do enorme tamanho, as folhas têm uma estrutura rígida, com veios, e estão cobertas por uma camada de cera. Segundo os cientistas, estas depressões profundas da folha, semelhantes às montanhas onde cresce o ruibarbo do deserto, permitem-lhe acumular a precipitação e criam um sistema de canais que encaminha a água para a terra que rodeia a raiz. As outras plantas do deserto limitam-se a absorver a água que cai no solo. "Trata-se do primeiro caso, no mundo, de uma planta que se irriga a si mesma. Não conhecemos outra que actue da mesma maneira", afirmou o botânico Gidi Ne'eman num comunicado .

A investigação prova como a selecção natural levou à evolução destas enormes folhas, permitindo ao ruibarbo sobreviver à aridez do clima.

As experiências realizadas ao crescimento da planta neste ambiente desértico mostram como consegue canalizar quase tanta água como as espécies que vivem no Mediterrâneo. Ou seja, até 426 mm de água por ano, 16 vezes mais do que as plantas com folhas mais pequenas que cobrem as montanhas do deserto de Negev.

Quando os cientistas regaram as folhas, puderam observar como a água é canalizada ao longo dos veios até à terra, onde consegue penetrar a terra até dez centímetros de profundidade. Isto quando as experiências mostram que, em regra, a água penetra apenas até um centímetro no solo.


Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1296774&seccao=Biosfera

quinta-feira, 11 de junho de 2009

As Vitaminas


Fundamentais para a manutenção dos processos biológicos vitais, as vitaminas só começaram a ser estudadas no início do século XX. Já bem antes, porém, sabia-se ser necessário incluir certos alimentos na dieta, para evitar algumas doenças.

Vitamina é um composto orgânico biologicamente activo, necessário ao organismo em quantidades muito reduzidas para manter os processos vitais. Como as enzimas, representa um autêntico biocatalizador, que intervém em funções básicas dos seres vivos, como o metabolismo, o equilíbrio mineral do organismo e a conservação de certas estruturas e tecidos.

Características gerais: Nos séculos XVIII e XIX, várias observações empíricas demonstraram que existiam nos alimentos algumas substâncias que evitavam doenças como o beribéri e o escorbuto. Até o início do século XX, no entanto, não se comprovara a importância efectiva de tais compostos, a que em 1912 o químico polonês Casimir Funk chamou vitaminas. As vitaminas diferem entre si consideravelmente quanto a estrutura, propriedades químicas e biológicas e actuação no organismo.

A carência de vitaminas na dieta produz doenças graves, as avitaminoses, como o raquitismo, a nictalopia (cegueira nocturna), a pelagra, diversas alterações no processo de coagulação do sangue e a esterilidade. Também a ingestão excessiva de vitaminas pode causar perturbações orgânicas, as hipervitaminoses.

As necessidades vitamínicas de um indivíduo variam de acordo com factores como idade, clima, actividade que desenvolve e stress a que é submetido. A quantidade de vitaminas presente nos alimentos também não é constante. Varia de acordo com a estação do ano em que a planta foi cultivada, o tipo de solo ou a forma de cozimento do alimento (a maior parte das vitaminas se altera quando submetida ao calor, à luz, ao passar pela água ou quando na presença de certas substâncias conservantes ou saporíferas).

As vitaminas receberam nomes científicos, mas são vulgarmente conhecidas por letras maiúsculas ou por um termo associado à doença produzida pela carência da vitamina no organismo. A vitamina A ou retinol, por exemplo, é chamada também antixeroftálmica. A classificação geral das vitaminas é feita de acordo com sua solubilidade em água ou gordura. As vitaminas hidrossolúveis são as que compõem o complexo vitamínico B (B1, B2, B6 e B12) e a vitamina C. As lipossolúveis compreendem as vitaminas A, D, E e K.

Vitaminas hidrossolúveis: As vitaminas solúveis em água são absorvidas pelo intestino e transportadas pelo sistema circulatório até os tecidos em que serão utilizadas. O grau de solubilidade varia de acordo com cada vitamina e influi no caminho que essa substância percorre no organismo. Quando ingeridas em excesso, as vitaminas hidrossolúveis são armazenadas até uma quantidade limitada nos tecidos orgânicos, mas a maior parte é secretada na urina.

A tiamina ou vitamina B1 é importante no metabolismo de alguns ácidos orgânicos. Sua carência provoca uma doença nervosa caracterizada por paralisia e insensibilidade, o beribéri. A B1 é encontrada em diversos alimentos, principalmente na casca do arroz. A vitamina B2, ou riboflavina, cumpre importante papel na chamada cadeia transportadora de elétrons, processo básico na respiração celular e na obtenção de energia por parte da célula. É abundante na levedura, nos ovos e no leite. Sua deficiência produz distúrbios visuais, fissuras nos lábios e inflamação da língua. A vitamina B6 intervêm no metabolismo dos aminoácidos e sua deficiência provoca insónia, irritabilidade, fraqueza, dor abdominal, dificuldade de andar e convulsões. São ricos em vitamina B6 (pirodoxina, piridoxamina e piridoxal) alimentos como cereais integrais, legumes e leite.

A cobalamina (vitamina B12), presente principalmente na carne de fígado, está associada à maturação dos glóbulos vermelhos no sangue. A carência dessa vitamina se traduz em anemia pronunciada, a chamada anemia perniciosa. A vitamina PP, também chamada niacina ou ácido nicotínico, também é um dos elementos do complexo B. Sua carência causa a pelagra, doença que se caracteriza por erupções na pele, além de distúrbios neurológicos e gastrintestinais.

A vitamina C ou ácido ascórbico é abundante nas frutas cítricas e vegetais verdes. Suas funções no organismo são múltiplas: participa da síntese do colágenio (proteína importante na formação da pele saudável, tendões, ossos e tecidos de sustentação e na cicatrização de feridas); da manutenção das paredes dos vasos sanguíneos; do metabolismo de alguns aminoácidos; e da síntese ou libertação de hormonas da glândula supra-renal. Sua deficiência produz o escorbuto, doença caracterizada por lesões nas gengivas, queda de dentes e hemorragias por todo o corpo, que podem levar à morte. A hipótese de que a vitamina C ajuda a prevenir ou mesmo curar certas doenças (como o resfriado comum ou algumas doenças malignas e infecciosas) continua a ser pesquisada, mas sem nenhum dado científico que a comprove.

Vitaminas lipossolúveis: As vitaminas solúveis em gorduras são absorvidas no intestino humano com a ajuda de sais biliares segregados pelo fígado. O sistema linfático as transporta a diferentes partes do organismo. O corpo pode armazenar uma quantidade maior de vitaminas lipossolúveis do que de hidrossolúveis. As vitaminas A e D são armazenadas sobretudo no fígado e a E nos tecidos gordurosos e, em menor escala, nos órgãos reprodutores. O organismo consegue armazenar pouca quantidade de vitamina K. Ingeridas em excesso, algumas vitaminas hidrossolúveis podem alcançar níveis tóxicos no interior do organismo.

A vitamina A é encontrada na gema do ovo, na manteiga e nas carnes de fígado e de peixes. Não está presente nas plantas, mas muitas verduras e frutas contêm alguns tipos de pigmentos (como o betacaroteno), que o organismo pode converter em vitamina A. A cenoura, por exemplo, é excelente fonte de betacaroteno. A vitamina A é fundamental para a visão e sua carência produz, entre outras doenças, o ressecamento da córnea e da conjuntiva do olho (xeroftalmia) e a ceratomalácia (amolecimento da córnea, com infiltração e ulceração), além de sérios problemas gastrointestinais.

A hipervitaminose A é caracterizada por diversos sintomas, como náusea, alterações do cabelo (que ficam ásperos e caem facilmente), ressecamento e escamação da pele, dor nos ossos, fadiga e sonolência. Também são comuns problemas de visão, dores de cabeça, distúrbios de crescimento e aumento do fígado.

A vitamina D pode ser obtida do óleo de fígado de bacalhau e também pela acção da luz ultravioleta sobre alguns esteróis. Os mais importantes desses esteróis são o 7-diidrocolesterol, formado por processos metabólicos animais, e o ergosterol (presente em óleos vegetais). A acção da luz solar converte essas duas substâncias em colecalciferol (vitamina D3) e ergocalciferol (vitamina D2), respectivamente. As duas participam dos processos de absorção do cálcio na corrente sanguínea e de formação dos ossos. Sua carência causa o raquitismo, em crianças, e a osteomalácia, em adultos, principalmente mulheres. A hipervitaminose D pode provocar fraqueza, fadiga, perda de apetite, náusea e vómitos.

Chamada também tocoferol, a vitamina E ocorre no gérmen de trigo, na gema de ovo, em verduras e legumes. Actua no organismo como um inibidor dos processos de oxidação em tecidos orgânicos. Protege as gorduras insaturadas da oxidação por peróxidos ou outros radicais livres.

A vitamina K é a naftoquinona encontrada nas folhas das plantas. Suas fontes mais abundantes são o óleo de soja, o espinafre e a couve. É necessária na síntese orgânica de quatro factores de coagulação do sangue: protrombina e factores VII, IX e X. A deficiência de vitamina K no organismo prolonga o tempo de coagulação do sangue e pode causar hemorragias internas.


Fonte: http://www.grupoescolar.com/materia/vitaminas.html

terça-feira, 20 de maio de 2008

Concentração de CO2 bate todos os recordes


Cientistas norte-americanos detectam uma subida da concentração de dióxido de carbono na atmosfera pior que a prevista pelos modelos matemáticos e que levanta inquietações sobre a capacidade do planeta absorver os gases de estufa.

A concentração de dióxido de carbono na atmosfera atingiu o valor mais alto de sempre, revela um estudo do laboratório de Mauna Loa, no Hawai divulgado na página electrónica da agência norte-americana para os oceanos e a atmosfera.

A concentração daquele gás, associado ao efeito de estufa, é de 387 partes por milhão (ppm). Estima-se que isto corresponda ao valor mais alto dos últimos 650.000 anos, representando um aumento de 40% desde a revolução industrial.

Entre 1970 e 2000 a subida média anual da concentração de CO2 observada na atmosfera havia sido de 1,5 ppm. Contudo o ano passado foi muito maior: 2,14 ppm. Nos últimos seis anos, só por duas vezes é que o aumento não tinha excedido 2 ppm.

Como interpretar estes dados? Os cientistas destas instituições receiam que se trate de um sintoma de que a Terra está a perder parte da sua capacidade natural de absorção dos gases de efeito de estufa.

Os modelos climáticos actuais assentam no pressuposto que metade do dióxido de carbono emitido virá a ser sequestrado pelas florestas e pelos oceanos.

Se assim não for, das duas uma: ou a mudança climática pode tornar-se incontornável, ou será necessário cortar ainda mais nas emissões gasosas, o que implica regulamentações ainda mais drásticas em campos como os transportes, produção de electricidade, actividade industrial, etc.

Fonte: Rui Cardoso, in expresso.

Embriões híbridos no Reino Unido

Deputados do Parlamento britânico rejeitaram, ontem, uma tentativa de proibição do recurso a embriões compostos por óvulos animais e núcleos humanos para experiências científicas. A lei, que permite a criação de tais embriões por um período de 14 dias, é vista por muitos como uma "ofensa" particularmente para ideais religiosos. Mas cientistas defendem que é uma solução para a escassez de óvulos humanos e que poderá acelerar o processo de pesquisa de curas para doenças que matam milhões de pessoas no Mundo. Segundo Edward Leigh, que lidera a campanha contra a adopção da medida, a criação de híbridos é "um passo demasiado à frente que deve ser tratado". Segundo afirma o deputado, "não existem ainda provas de que a técnica poderá levar ao tratamento de doenças como Parkinson ou Alzheimer. Mas o primeiro-ministro, Gordon Brown, apelou aos deputados para apoiarem a medida que, afirmou, "poderá salvar milhões de vidas humanas".

Cientistas da Universidade de Newcastle anunciaram no mês passado a criação do primeiro embrião híbrido no Reino Unido. Este foi incluído num projecto de investigação que deu à equipa de Newcastle autorização temporária para utilizar a técnica.

Fonte: Rita Jordão, in JN

Três anos para vacina da meningite B


Investigadores de uma companhia farmacêutica suíça, a Novartis, concluíram com êxito testes decisivos no desenvolvimento de uma futura vacina contra a meningite B. Os ensaios envolveram 150 crianças e decorreram no Reino Unido, com "fortes respostas" nos respectivos sistemas imunitários. Apesar do entusiasmo com a perspectiva da solução para uma doença considerada perigosa, a comunidade científica e as autoridades de saúde reagem com prudência, sublinhando que poderá levar alguns anos a produzir uma vacina eficaz.

"É uma descoberta importante, mas temos de aguardar com calma", sublinhou ao DN a sub-directora geral de saúde, Graça Freitas. O licenciamento de uma vacina poderá levar "vários anos", que poderão ir de dois a três, mas se a "relação entre a protecção e o custo for parecida" com a que se verifica na vacina para a meningite C, pode ser decidida a introdução do novo produto no programa nacional de vacinação.

De qualquer forma, esta será sempre uma decisão política, após análise cuidadosa e um longo processo de aprovação, que não levará menos de dois ou três anos. Na realidade, este processo pode até ser mais tempo, caso haja necessidade de repetir testes. Graça Freitas disse ao DN que esta é uma "notícia boa", que está a ser acompanhada com atenção. A esperança é grande, pois "as farmacêuticas que trabalham com vacinas são muito rigorosas".

A meningite B atinge anualmente cerca de 120 a 130 pessoas, em Portugal, com uma mortalidade ligeiramente inferior a 10%. As vítimas da meningite são geralmente crianças. Um terço dos casos (isto, para todas as diferentes meningites) envolve menores com menos de 4 anos. Os casos de pessoas com mais de 44 anos têm uma proporção de apenas 0,2%.

Segundo números oficiais, em 2006 morreram três portugueses com meningite B, havendo quatro casos em que não houve tempo para identificar o tipo de meningococo envolvido.

Existe nas farmácias uma vacina muito eficaz para a meningite C, já adoptada pelo Programa Nacional de Vacinação e que oferece protecção quase total, desde que seja seguido o calendário previsto. Com base nas estatísticas existentes, as autoridades calculam que esta vacina evite cerca de uma centena de casos anuais deste tipo de meningite, evitando oito ou nove mortes anuais. O custo para o Estado, também anual, é de 3 milhões de euros.

A nível mundial, a meningite mata milhares de crianças todos os anos. Trata-se de uma infecção da meninge, que uma membrana de protecção do cérebro. Esta infecção tem diversas causas possíveis e carácter sazonal.

O que mais assusta os pais é o facto da doença ser devastadora e, sobretudo muito rápida, podendo matar em menos de um dia uma criança aparentemente saudável. Também são graves as eventuais sequelas para os sobreviventes, desde atrasos mentais a surdez, passando por sérios problemas neurológicos.

A meningite B é provocada por uma infecção por meningococo do chamado serogrupo B. Em vários países foram desenvolvidas vacinas, mas que protegem apenas contra estirpes de bactérias existentes naquelas regiões.

Em vários países europeus, a notícia foi recebida com evidente entusiasmo. A BBC cita um especialista britânico, Steve Dayman, segundo o qual a "bactéria de meningite B é incrivelmente complexa e desenvolver uma vacina foi sempre um dos maiores desafios" no sector. Mas, por enquanto, todos falam apenas em "desenvolvimento encorajador "e alertam para o excesso de expectativas e a necessidade de esperar alguns anos.

Fonte: LUÍS NAVES, in DN.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Pássaros bebés também 'palram'


Os pássaros canoros (que cantam) não nascem ensinados. Tal como os bebés humanos que começam por "palrar", vocalizando uma enorme gama de sons antes de começarem a falar, também os pássaros juvenis começam por ensaiar os sons que se tornarão mais tarde os gorjeios próprios da sua espécie.

Ao estudar esta aprendizagem em mandarins, pássaros de pequena dimensão, de nome científico Taeniopygia guttata, uma equipa de investigadores do MIT, nos Estados Unidos, conseguiu identificar um complexo funcionamento dos circuitos cerebrais que determinam este comportamento exploratório (de treino), colocando ao mesmo tempo em evidência a sua importância na aquisição das competências da idade adulta.

Pesquisas anteriores tinham sugerido que os mandarins possuem dois circuitos cerebrais distintos relacionados com os seus cantos. Um deles ligado à aprendizagem e treino dos "vocalizos" e o outro para comandar a emissão do gorjeio no pássaro adulto. Nesta espécie, só os machos cantam e, embora cada indivíduo tenha a sua canção específica, ela é passada de pais a filhos, durante o processo de aprendizagem investigado pelos cientistas do MIT.

Outros estudos tinham mostrado que se o circuito cerebral que comanda a aprendizagem do canto nos pássaros juvenis for danificado, o animal já não progride nessa aprendizagem e não chega a adquirir o domínio da sua canção. No entanto, se o circuito cerebral que comanda essa aprendizagem for danificado numa ave adulta que já aprendeu a sua canção, essa competência mantém-se intacta.

Mas o que acontece nos juvenis se a zona ligada à emissão do canto nos adultos for desligada por drogas ou por cirurgia? Ao fazer esta pergunta, a equipa do MIT liderada por Dmitri Aronov levantou uma questão nova. E descobriu um interruptor que permite comutar os dois circuitos, com resultados surpreendentes. Neste caso os treinos canoros dos juvenis não são afectados.

Bloqueando, porém, uma pequena parte do circuito responsável pela produção do canto num pássaro adulto, ele volta a usar o outro circuito cerebral que lhe permite voltar a fazer os sons juvenis, o que significa que os dois mecanismos cerebrais não são estanques.

Fonte: FILOMENA NAVES, in DN, 2 de Maio de 2008

Fumo e Poluição aumentam os riscos


A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) ainda é desconhecida dos portugueses.

O TABAGISMO é um factor de risco de desenvolvimento da doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), mas não é o único. A poluição em recintos fechados, resultam do uso de fornos e de fogões a lenha e a carvão, e as exposições profissionais a uma variedade de poeiras atmosféricas também representam um risco, tal como a poluição atmosférica, a que dificilmente conseguimos fugir.
A DPOC é caracterizada por limitações na fluidez respiratória, acompanhada de dificuldade respiratória, tosse e aumento da expectoração.
Os doentes ficam incapazes de desenvolver as suas actividades diárias, levando à morte prematura. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de 600 milhões de pessoas no mundo sofrem de DPOC e cerca de três milhões morrem por ano com a doença.
Em Portugal, poucos a conhecem. Num estudo feito recentemente , com inquéritos a 782 pessoas, apenas 2,6% sabiam o que era a doença e só 6,5% dos fumadores a conheciam. Do total dos inquiridos, 29,9% disseram ter sido informados pelo médico de família sobre os perigos associados ao tabagismo. Mais de metade dos inquiridos sabiam que esta doença estava a aumentar, mas consideram que é menos severa do que o cancro do pulmão, a diabetes, as doenças cardiovasculares e a sida.


Fonte: Virgínia Alves, in NS, 26 de Abril de 2008

terça-feira, 29 de abril de 2008

Genética combate a cegueira


Desde criança que Steven vinha perdendo a visão. Aos 18 anos já não via de noite e em breve deixaria completamente de ver e de se poder movimentar na sua cidade, Bolton, no Reino Unido. Mas uma terapia genética inovadora desenvolvida por uma equipa do Moorfields Eye Hospital veio devolver-lhe a esperança e parte da sua capacidade de visão. O caso de Steven, contado pelo New England Journal of Medicine e por vários outros órgãos ingleses, é o exemplo de que a terapia pode resultar. Mas há outros casos documentados quer no Reino Unido quer nos Estados Unidos. Embora os outros pacientes não tenham recuperado totalmente a visão, os resultados preliminares indicam que este tratamento pode impedir o desenvolvimento da amaurose congénita de Leber, uma degenerescência rara incurável dos receptores de luz da retina, que leva à cegueira total.Os oftalmologistas usaram como vector um adenovírus modificado para introduzir, atra- vés de uma injecção na retina, milhões de ver- sões normais do gene RPE65 - cuja mutação é responsável pela amaurose congénita. Duas semanas após a intervenção, a maioria dos pacientes, que antes só detectavam o movimento de uma mão à sua frente, passaram a conseguir ler linhas do quadro usado pelos oftalmologis- tas para testar a visão. Mesmo nos casos onde os benefícios não são tão evidentes, os resulta- dos deste ensaio clínico mostram uma melho- ria da capacidade da retina de captar a luz.No entanto, os investigadores explicam que não esperavam resultados totais em adultos, uma vez que já tinham um grau elevado de cegueira. O passo seguinte será aplicar esta terapia em crianças, com os olhos menos deteriorados e que, por isso, deverão ter uma resposta mais acentuada. "Pensamos que as melhorias da visão seriam ainda mais pronunciadas se este tratamento fosse realizado na infância, antes da doença", afirmou Jean Bennet, professor de Oftalmologia na Universidade da Pensilvânia, nos EUA.Esta é uma área de pesquisa onde, nos últimos 15 anos, quase não houve avanços. "Aquilo que demonstrámos, até agora, é a prova de que a terapia genética pode ser usada para tratar uma desordem genética particular", explicou James Brainbridge, um dos cirurgiões que operou Steven. "Isto é apenas o princípio."

Fonte:MARIA JOÃO CAETANo, in Diário de Notícias, 29/04/08

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Gato-selvagem ameaçado por cruzamento de raças


A população do nosso último felino selvagem decresce...
É parente do lince, quase desaparecido da fauna portuguesa, mas não tem a mesma visibilidade nem as mesmas defesas. E, no entanto, carece de urgente protecção para suster o seu ancestral grau de pureza. O gato-selvagem, predador astuto, ainda não atingiu o "vértice de extinção", mas está ameaçado. Um dos seus inesperados inimigos é um remoto irmão - o gato doméstico.
Dois jovens investigadores do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO), da Universidade do Porto, seguem, há cinco anos, o rasto do felino selvagem, numa perspectiva ecológica e genética, em território português. Os primeiros resultados inquietam. O solitário Felis silvestris "não chegou ainda ao ponto do lince, mas segue-lhe as pegadas".
A população do último felino selvagem em Portugal, seguindo a linha trágica de outras espécies, decresce ao longo dos anos. Por causa da degradação do seu habitat, da abertura de novas estradas, dos caçadores sem escrúpulos, aponta Pedro Monterroso, um do investigadores do CIBIO. Por causa, também, da escassez de coelho-bravo, principal presa deste predador, que caça pelo crepúsculo ou de noite, zeloso do seu território. E as ameaças não se esgotam aqui.
O estudo dos jovens investigadores integra um projecto inédito de identificação genética. O gato-bravo, em termos genéticos, é muito próximo do gato que vive nas nossas casas. Mas há diferenças. Essa parte do estudo cabe a Rita Oliveira. E aqui surgem dados novos e preocupantes. Felinos selvagens puros, em Portugal, garante a investigadora, existem. No entanto, alguns são animais híbridos, fruto do cruzamento Felis silvestris com o gato doméstico.
Iniciado em 2003, o trabalho de Rita Oliveira permitiu já identificar vários marcadores moleculares que facilitam a distinção entre felinos selvagens e domésticos apenas através de amostras. Nos 28 gatos-selvagens analisados, a investigadora descobriu quatro animais híbridos.
Estes casos de hibridação foram detectados em felinos recolhidos no Norte, Centro e Sul de Portugal, o que torna mais grave a situação. A extensão da ameaça - que na Escócia levou à extinção do gato-selvagem - é desconhecida, porque os estudos sobre o último felino selvagem são escassos.
O gato-bravo, refere Pedro Monterroso, "não é uma espécie mediática, como o lince-ibérico". Por isso mesmo, "ninguém sabe qual a sua distribuição real no território português". Sabe-se, no entanto, que esta espécie protegida pelo Livro Vermelho dos Vertebrados em Portugal, onde surge como vulnerável, viu a sua população diminuir 30%num período de dez anos.
Os investigadores, que apresentam em breve como tese de doutoramento esta investigação, pretendem alargar o estudo, que incidiu na área do Parque Natural do Vale do Guadiana, no baixo Alentejo.
O objectivo é saber quantos felinos existem em Portugal e qual a sua distribuição real. É um trabalho a nível nacional, ainda à procura de financiadores, da responsabilidade do CIBIO. O projecto terá como base os marcadores genéticos desenvolvidos por Rita Oliveira, e deverá envolver diversas instituições interessadas na preservação da espécie.
Mas, afinal, como se distingue o gato-bravo do gato-europeu (o irmão mais próximo entre os gatos domésticos)? Na cauda, entre outros pormenores, encontra-se a maior diferença. A do gato-selvagem tem uma extremidade grossa, arredondada e com uma mancha negra; os ronronantes bichanos que se passeiam por nossas casas apresentam cauda pontiaguda e não caçam coelhos-bravos.

Fonte: Francisco Mangas, in Diário de Notícias, 27 de Abril de 2008

O avião do futuro foi pensado há 25 milhões de anos


Paleontologia ajuda ao desenvolvimento da engenheira aeronáutica

O avião do futuro terá o comportamento inteligente de um organismo dinâmico, capaz de ajustar a forma, flexibilidade e tensão das suas asas a diferentes condições de temperatura, vento e pressão atmosférica. A ideia não é nova. Na verdade, este modelo aerodinâmico perfeito tem 250 milhões de anos. Mas só agora começa a ser seriamente desenvolvida nos estiradores da engenharia aeronáutica. Os modelos são fósseis de pterossauros, uma classe de gigantes répteis voadores do período Mezóico, extintos há 65 milhões de anos.
Porque só agora o projecto começa a congregar a atenção de duas ciências que até hoje nunca se pensaram em conjunto: a paleontologia e a engenharia. Isso mesmo foi defendido esta semana pelo paleontólogo britânico David Unwin num ciclo de conferências de paleontologia realizado em Barcelona. Foi aí que Unwin, uma das maiores autoridades mundiais no estudo destes velhos lagartos com asas, explicou como fósseis com milhões de anos podem ser uma peça fundamental para o desenvolvimento tecnológico da aviação.
"É maravilhoso pensar como os vestígios que nos chegaram dos pterossauros carregam uma mensagem que nos vai ajudar a pensar o futuro de forma tão concreta", declarou o paleontólogo ao diário espanhol El País, explicando que as mais recentes descobertas de fósseis e as novas técnicas utilizadas na sua recuperação têm proporcionado revelações surpreendentes. "Sabemos agora que dentro da membrana das asas destes animais havia diferentes camadas de tecidos, e não apenas uma pele tensa. Era como uma túnica viva, dinâmica, num jogo complexo de vasos sanguíneos, fibras e muitos pequenos músculos." E é nesse complexo sistema que permitia a estes gigantes o domínio perfeito do voo, atingindo velocidades enormes e mantendo uma extraordinária capacidade de manobra rápida, que se acredita estar a chave tecnológica dos aviões de amanhã.
"Os engenheiros aeronáuticos com quem tenho contactado estão muito entusiasmados com esta ideia, porque é exactamente isso que eles hoje procuram desenvolver", explica Unwin. "Trata-se de imaginar um sistema que permite ao piloto receber informação transmitida pelas asas do aparelho e que estas por sua vez se moldem automaticamente em volume e forma consoante as condições exteriores. E eles [engenheiros] acreditam que é isto que poderá tornar voo será sempre mais eficaz, seguro e barato."
Além das asas, explica o paleontólogo, todo o corpo destes animais, enorme mas de pouca massa, é uma lição de aerodinâmica que começa agora a ser estudada.- J.P.O.

Fonte: João Marcelino, in Diário de Nóticias, 28 de Abril de 2008

Aprender a aproveitar a energia das ondas


Tecnologia finlandesa em Peniche

Quem olha para o mar da praia da Almagreira, em Peniche, não adivinha que a cerca de 30, 50 metros da costa estão instalados dois protótipos do WaveRoller, um mecanismo para captar a energia das ondas.O segundo protótipo foi colocado no início deste mês, um ano depois do primeiro. Fazem parte de um projecto-piloto que está a ser desenvolvido pela portuguesa Eneólica, com tecnologia finlandesa. O objectivo é criar um parque de aproveitamento de energia das ondas com capacidade para produzir electricidade que possa ser comercializada. Mas até lá, há um longo caminho a percorrer.O mecanismo está instalado no fundo do mar, a uma profundidade de cerca de 15 metros. Baseia-se num conceito de aproveitamento da energia contida na movimentação das águas em profundidade, uma vez que o movimento de translação que é visível à superfície também se sente no leito do oceano em águas menos profundas. "Há menos energia, mas é suficiente", diz o administrador da Eneólica, Agostinho Ribeiro. Suficiente para causar a oscilação das pás; a energia cinética é recolhida e transformada em electricidade. Cada protótipo tem uma potência de 15 kilowatts, o suficiente para abastecer duas a três casas.Um ano de funcionamento deu para confirmar algumas das vantagens desta tecnologia: como fica submersa não tem impacto visual e fica mais protegida das tempestades, uma vez que a força das águas é mais destrutiva em equipamentos à superfície, explica Agostinho Ribeiro. Aliás, um dos problemas do aproveitamento da energia das ondas é que ainda não se descobriu uma tecnologia capaz de resistir a situações extremas, salienta. Mesmo no fundo do mar, as pás têm dificuldades em resistir. A principal desvantagem é a areia, que interfere com os equipamentos.O desempenho do primeiro protótipo está a corresponder aos objectivos e até ao final de 2009 será avaliada a viabilidade técnica e financeira do projecto para avançar para a fase comercial.Os custo de produção são por enquanto difíceis de avaliar. "Como é um projecto-piloto, não há produção em escala e por isso o custo é elevado. Não é possível dizer o custo por megawatt mas posso dizer que no mínimo é quatro vezes mais do que o da energia eólica", reconhece Agostinho Ribeiro.No entanto, acredita que é possível desenvolver a energia das ondas até que seja competitiva. Esta convicção é partilhada por António Sarmento, director do Centro de Energia das Ondas, uma associação sem fins lucrativos que tem como objectivo desenvolver este mercado. "Não é já depois de amanhã que vai ser uma energia comercial", avisa, lembrando que há um conjunto de cerca de 14 tecnologias que já passaram por testes mas ainda não estão prontas. "Apostar agora comporta um risco elevado, mas o prémio em jogo também é alto", diz o professor do Instituto Superior Técnico, que acredita que Portugal tem potencial para se afirmar neste mercado se começar a investir agora.


Fonte: Patrícia Jesus, in Diário de Notícias, 26 de Abril de 2008.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O campeão dos peso-pluma

São os objectos mais poderosos do Universo e talvez também os mais fantasiados pela imaginação humana, com grandes ajudas da literatura fantástica e da indústria de Hollywood, na segunda metade do século XX. São os buracos negros, claro. Graças a sua poderosa atracção gravítica, estes estranhos objectos sugadores de luz, que se formam em consequência do colapso de estrelas supergigantes ou de supernovas (estrelas que explodem), "comem" tudo à sua volta, incluindo estrelas inteiras.
Mas até entre estes colossos há os pesos-pluma. Astrónomos do Centro Espacial Goddard, da NASA, encontraram justamente o recordista entre os buracos negros mais pequenos até hoje descobertos. O XTE j1650, como lhe chamaram, é "apenas" 3,8 vezes maior e mais pesado que o Sol, o que é realmente muito pouco, comparando com alguns buracos negros já identificados, que chegam a ser milhares de milhões de vezes mais pesados de que a nossa própria estrela. Este "pequeno" buraco negro, dizem os seus descobridores - Nikolai Shaposhnikove e Lev Titarchuk -, formou-se no centro de uma estrela moribunda que esgotou o seu próprio combustível. O núcleo dessa estrela colapsou sobre si próprio e assim surgiu o XTE j1650, cuja a pequena dimensão os cientistas pensam não poder ser facilmente destronada por outros congéneres. Cálculos feitos por Albert Einstein prediziam que um buraco negro com 3,8 vezes a massa do Sol não seria muito maior do que uma cidade com cerca de 20 Km de extensão. Para um buraco negro, não aparece muito assustador.

Por Filomena Naves, in revista NS, de 12 Abril de 2008.