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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Anotações de Darwin divulgadas na internet

Biodiversity Heritage Library vai dar a conhecer acervo pessoal do britânico

Um projecto que, entre outras instituições, envolve a Biblioteca da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, começou a digitalizar anotações de livros da biblioteca pessoal de Charles Darwin.
A primeira fase do trabalho foi finalizada e qualquer pessoa pode aceder pela internet os 330 livros mais “rabiscados” do naturalista britânico, através do site da Biodiversity Heritage Library .
O objectivo do projecto é mostrar o que Darwin pensava de outros autores. "Foi dada muita atenção aos seus manuscritos e correspondências, mas a sua biblioteca nunca teve a atenção que merecia", afirmou a bibliotecária Anne Jarvis, da Universidade de Cambridge.
O sistema de pesquisa do site permite que o utilizador encontre documentos por títulos ou palavras-chave, o que torna a procura muito mais facilitada.
Os mentores do projecto pretendem colocar na rede todas as páginas dos 1480 livros do acervo pessoal de Darwin, 748 dos quais contêm anotações pessoais.
Este projecto surge na sequência de outro que começou em 2008, quando a Universidade de Cambridge anunciou que digitalizaria vinte mil papéis relacionados com a vida de Darwin e os seus estudos. A universidade pretendia assim criar um banco de informações que estaria à disposição do público pela internet e que apresentaria, entre outras curiosidades, receitas da sua mulher, Emma, e cartas que revelam momentos desconhecidos da vida de Darwin.

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=49774&op=all

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Cavalheiros cientistas

Quando (quase) ainda não havia profissionais

Ricos e filantropos, investigavam por puro prazer. Sem eles, o progresso teria sido muito diferente.

Na segunda metade do século XIX, um jovem escocês, Robert Kidston (1852–1924), herdou uma boa quantia, o que lhe permitiu viver sem dificuldades e pagar os seus estudos de paleontologia e posterior investigação sobre a flora arcaica. Após a sua morte, a colecção de 7500 plantas e 400 desenhos que deixara foi doada à British Geological Survey (BGS), instituição dedicada ao estudo da Terra. Ali permaneceu, semi-esquecida, até que alguém se apercebeu, recentemente, que esses fósseis de 360 milhões de anos, em excelente estado de preservação, constituíam uma valiosa ferramenta para analisar as alterações climáticas e as florestas paleozóicas.
A importância do legado de Kidston é equiparável à de outros gentlemen scientists, cavalheiros abastados que se dedicaram à investigação simplesmente como hobby. A verdade é que muitos cientistas dos séculos XVII, XVIII e XIX, aos quais devemos grandes descobertas em diversos campos, puderam consagrar a vida ao estudo por descenderem de famílias nobres ou terem casado com mulheres ricas, numa época ou que não havia apoios económicos dos governos para esse fim. Quase todos pertenciam à aristocracia britânica e faziam parte, como o próprio Kidston, da Royal Society, uma associação formada em Londres, em 1660, por um grupo de homens irrequietos que se reuniam para debater filosofia, anatomia, matemática e ciência em geral.
Entre os fundadores, havia personalidades como William Brouncker ou Sir Christopher Wren, filho do diácono dos reis de Inglaterra e o arquitecto responsável pela reconstrução da Catedral de São Paulo, em Londres. Integrava também o aristocrata irlandês Robert Boyle (1627–1691), herdeiro do conde de Cork e precursor da química moderna (é conhecido pela lei de Boyle-Mariotte, sobre o volume dos gases). Aos 15 anos, decidira viajar pelo mundo; quando regressou, já com 17 anos, descobriu que tinha herdado a propriedade de Stalbridge e várias quintas na Irlanda, uma autêntica fortuna que consagrou à investigação.

Duas épocas

Os séculos XVIII e XIX foram muito distintos. No primeiro, os grandes estados europeus, guiados pelas noções do despotismo esclarecido, criaram as academias de ciências para acolher a elite da investigação; fundaram observatórios de astronomia, escolas militares, jardins botânicos, hospitais e colégios de cirurgiões e financiaram expedições científicas. O século XIX, em contrapartida, foi o tempo das revoluções burguesas e do desenvolvimento da universidade moderna, que combina ensino e investigação, como explica o historiador E. Ausejo: “O perfil maioritário deixa de ser o do rico excêntrico para se transformar no do burguês abastado com acesso a uma educação superior e, através disso, a uma profissão científica com inegáveis vantagens para a ascensão social das classes médias.”
Esta evolução não obsta a que muitos cientistas proviessem de famílias nobres ou de grandes tradições, como a de Henry Cavendish (1731–1810). O físico e químico inglês, que descobriu o hidrogénio e estudou, pela primeira vez, a massa da Terra e a força gravitacional, descendia dos duques de Kent e dos duques de Devonshire, linhagens que remontam ao tempo dos normandos. Alguns dos gentlemen scientists constituíam uma nova versão dos sábios do Renascimento, cujo raio de acção abarcava numerosas matérias. Foi o caso de Goldsworthy Gurney (1793–1875), cirurgião, químico, arquitecto, construtor e inventor responsável pelo desenvolvimento dos primeiros veículos a vapor, precursores dos actuais automóveis.

Viajar e pensar

Parece óbvio que a condição financeira deve ter ajudado muito esses investigadores aristocráticos e, embora E. Ausejo duvide de que o estereótipo de cientista milionário fosse generalizado (afirma que se trata de “casos pitorescos mas não tão frequentes; a ciência não foi uma obra de senhorios ociosos”), o facto é que a sua fortuna permitiu a alguns, como Alexander von Humboldt (1769–1859), dedicar a vida à exploração e ao estudo. Graças à avultada herança recebida da mãe, este cavalheiro prussiano pôde viajar, primeiro, até à Grã-Bretanha, para se formar, e, depois, partir à descoberta de outros continentes. Humboldt foi geógrafo e naturalista, além de especialista em etnografia, astronomia, vulcanologia, física e outras matérias.
Foi, também, um testamento que mudou a vida do geólogo e vulcanólogo escocês James Hutton (1726–1797), responsável por formular o princípio uniformista, segundo o qual os processos naturais que agiram no passado são os mesmos que operam no presente. Hutton era médico mas trocou a profissão pela agricultura quando herdou uma grande propriedade paterna. Como os trabalhos na quinta iam de vento em popa, mudou-se para Edimburgo para se dedicar a tempo inteiro ao estudo da superficie terrestre.

O laboratório em casa

Outro gentleman scientist foi Charles Darwin (1809–1882). Membro da Royal Society, nunca teve problemas económicos. Pelo contrário, provinha de uma família de médicos com um modo de vida folgado e a abastança cresceu ainda mais quando casou com a prima, Emma Wedgwood, herdeira de uma grande fortuna graças ao negócio de olaria dos pais. Isso permitiu a Darwin trabalhar toda a vida em casa e consagrar-se à investigação e à publicação das suas obras.
O autor de A Origem das Espécies partilhava muitas características com o primo, Sir Francis Galton (1822–1911), homem de múltiplos interesses que se dedicou à geografia, à meteorologia e à estatística, além de explorar os trópicos, fundar a psicologia diferencial e inventar a identificação através das impressões digitais. Galton pertencia a uma família que fez dinheiro com a banca, o aço, as armas e um ou outro casamento com mulheres ricas. Por outro lado, herdou também do passado as inquietações científicas do avô, Samuel ­John, que publicou vários livros e foi membro da Lunar Society, um clube de filósofos e intelectuais que se autodenominavam “lunáticos” e se reuniam em noites de Lua Cheia. Entre eles, encontravam-se James Watt, o matemático e engenheiro escocês que foi o artífice da máquina de vapor, e Erasmus Darwin, avô de Charles e pioneiro do evolucionismo.
A botânica foi uma das disciplinas que mais atraíram os investigadores do século XIX, como o londrino Joseph Banks (1743–1820). Rico de nascença, acompanhou Cook na sua primeira grande viagem, entre 1768 e 1771, e introduziu na Europa muitas árvores e plantas desconhecidas até à data, como o eucalipto e a acácia.
O estudo do reino vegetal desenvolveu-se igualmente em Portugal durante o Século das Luzes, quando a ciência estava nas mãos de uma minoria culta, formada por nobres, diplomatas, homens da Igreja... Durante esse perío­do fértil do século XVIII, o conde da Ericeira promoveria as Conferências Discretas e Eruditas, de onde saíram sócios para criar a Academia da Ciência (1720); o rei D. José adere ao movimento do despotismo esclarecido e apoia o marquês de Pombal na instituição do Colégio dos Nobres e na criação de gabinetes, laboratórios e museus. Já no século XIX, é criado o Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, por iniciativa do conde de Ficalho e de Andrade Corvo, considerado um “moderno e útil complemento para o ensino e investigação botânicos na Escola Politécnica, símbolo dos novos rumos de progresso social e científico”.

Eclosão vegetal

Embora Francisco Manuel de Mello Breyner, o conde de Ficalho, se tivesse destacado como botânico e se enquadre no perfil de gentleman scientist, outros nomes conhecidos da botânica portuguesa talvez tivessem nomes menos sonantes ou não pudessem dispor de tantos recursos, mas a sua obra foi igualmente importante, como é o caso, entre outros, de Avelar Brotero (1744–1828), professor de botânica e agricultura na Universidade de Coimbra e autor de obras como Flora Lusitânica, na qual identificava cerca de 1800 espécies, muitas delas desconhecidas até então. Em sua honra, foi fundada a Sociedade Broteriana, agremiação científica que viria a exercer grande importância no desenvolvimento da botânica portuguesa através do seu Boletim.
Outro indiscutível cavalheiro da ciência foi o abade Correia da Serra (1750–1823), que se dedicou sobretudo à investigação nas áreas da botânica e da geologia e fundou, juntamente com o duque de Lafões, a Academia de Ciências de Lisboa. De grande prestígio intelectual, conviveu com os maiores cientistas da sua época e publicou trabalhos nas mais conceituadas revistas, tendo mesmo sido descrito pelo presidente Thomas Jefferson, dos Estados Unidos, como “o homem mais erudito que jamais conheci”. Com o prestígio e os conhecimentos que possuía no exterior, este presbítero secular e fidalgo da Casa Real ajudou o país a desenvolver a investigação e a mentalidade científicas, num esforço para Portugal não ficar completamente para trás em termos europeus.
Claro que, apesar disso, tudo era feito de modo muito mais modesto do que, por exemplo, no Reino Unido. Os meios eram incomparavelmente menores e reinava a precariedade. A “descolagem” científica apenas se verificaria mais de um século depois. Seja como for, muitos investigadores europeus dos séculos XVIII e XIX eram amadores que se dedicavam à ciên­cia por diversão, embora ganhassem a vida noutras profissões. O próprio Darwin era um jovem cientista amador quando embarcou no HMS Beagle; o primeiro microscópio composto foi inventado por Zacharias Janssen, um mercador holandês e cientista amador, e há muitos outros exemplos.

Colecções e museus

Em Portugal (como noutros países), há diversos exemplos de grandes coleccionadores cujas obras de arte e objectos reunidos ao longo da existência deram origem à criação de museus baptizados com os seus nomes: é o caso do Museu Calouste Gulbenkian ou, mais recentemente, do Museu Berardo, ambos si­tuados em Lisboa. Tanto um como outro podem ser considerados mecenas das artes.
Os belgas Paul Otlet (1868–1944) e Henri La Fontaine (1854–1943), filhos de famílias da alta burguesia, foram também grandes coleccionadores. Juntos, criaram a classificação decimal universal, método bibliográfico para ordenar e catalogar as obras nas bibliotecas, além do Mundaneum, um espaço que reuniria todo o saber em pequenas fichas interligadas. Otlet foi um visionário que antecipou a internet: “A mesa de trabalho deixará de estar cheia de livros. Em vez disso, terá um ecrã e um telefone. Um edifício imenso servirá para armazenar todos os livros e toda a informação e, através de uma chamada, será possível pedir qualquer página para se poder ver no ecrã”, escreveu. O belga imaginou “uma máquina para o trabalho intelectual, suporte de uma enciclopédia completa e colectiva que possa reflectir o pensamento humano e a materialização gráfica de todas as ciências e as artes; todos os pensadores de todas as épocas estariam a colaborar na sua criação; esse novo meio vai permitir formar um Livro Universal”. Uma obra assim acolheria o trabalho de todos os cavalheiros da ciência.

Altruístas do século XXI

Actualmente, não há muitos cientistas a trabalhar exclusivamente por amor à ciência, mas ainda resta um ou outro. De acordo com Millán Muñoz, director do Centro de Estudos Ambientais do Mediterrâneo (CEAM), um deles é Robert Schemenauer, um meteorologista canadiano que, após trabalhar durante anos para o Governo do seu país, decidiu retirar-se para uma casa nas montanhas. Ali, desenvolveu um sistema de recolha de água do nevoeiro e neblinas com uma rede de polipropileno (semelhante ao nylon), capaz de captar e armazenar a humidade. Depois, fundou a FogQuest (http://www.fogquest.org), organização sem fins lucrativos destinada a promover projectos para abastecer de água comunidades rurais de países em vias de desenvolvimento. Algumas povoações do planalto sul-americano e de vários paí­ses africanos já dispõem de água potável graças a esta técnica.

SUPER 152 - Dezembro 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Investigadora portuguesa recebe prémio internacional por trabalhos na Antárctida

A investigadora Vanessa Batista, do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, foi premiada na maior conferência internacional sobre ciência polar, que decorreu no início do mês em Oslo, pelo seu trabalho sobre o permafrost, o solo permanentemente gelado, na Antárctida.
Vanessa Batista recebeu a distinção “Outstanding Presentation for Early Career Scientists”, na categoria “Mudanças passadas, presentes e futures nas regiões polares”, informou o Comité Polar Português. A investigadora foi um dos 12 jovens cientistas seleccionados de um total de 750.
“Este prémio vem reconhecer a importância do trabalho de Vanessa Batista realizado na ilha Deception na Antárctida Marítima, sobre os factores que controlam a camada activa do permafrost, a nível espacial e temporal”, justifica o Comité português.
A investigação de Batista, que contou com o apoio de colegas espanhóis e argentinos, pretendeu compreender as influências da altitude e de outros factores na espessura das camadas de gelo naquela ilha vulcânica. Para isso foram instaladas estações de medição da espessura do permafrost a várias altitudes e as observações decorreram durante os Verões na Antárctida de 2009 e 2010.
O prémio foi atribuído durante a maior conferência polar de sempre (de 8 a 12 de Junho), onde participaram 2300 cientistas de todo o mundo, para apresentar os primeiros resultados do Ano Polar Internacional (2007-2009). Portugal esteve representado por onze investigadores de várias instituições.
Gonçalo Vieira, do Comité Português para o Ano Polar Internacional, explicou ao PÚBLICO que, durante o Ano Polar, “houve áreas em que se avançou bastante”, como o conhecimento da quantidade de carbono armazenado no permafrost do Árctico e o estudo do mar gelado no Antárctico e no Árctico e nas suas reacções em cenários de aquecimento global. Além disso, “pela primeira vez, houve uma interacção muito forte entre as ciências sociais e as outras ciências, bem como com os povos do Árctico. Este esforço ajudou a conhecer muito melhor os problemas destes povos e também aspectos relacionados com mudanças ambientais difíceis de quantificar”, considerou.

Oceano austral e permafrost entre as maiores contribuições portuguesas

O Ano Polar Internacional ajudou a promover a investigação portuguesa nestas regiões. Desde a aprovação do Programa Polar Português, em Dezembro de 2007, dezenas de cientistas têm contribuído para aumentar o conhecimento polar. Entre as áreas com maiores contribuições portuguesas estão o estudo do ecossistema do Oceano Austral e o estudo do permafrost antárctico, referiu.
Acima de tudo, Gonçalo Vieira considera que o Ano Polar Internacional “fez com que a comunidade se unisse. Dinamizaram-se muitíssimas colaborações internacionais nos dois pólos” e “ofereceram-se bolsas para formação de jovens investigadores”, ajudando a atrair investigadores para as regiões polares.
Agora, no final da iniciativa, o investigador considera importante não perder o “momentum” e conseguir “potenciar o investimento, em especial aquele que foi feito ao nível das redes de monitorização e de recursos humanos”. “Em Portugal, por exemplo, conseguimos criar massa crítica e ampliar muito o interesse pela ciência polar; agora é necessário, de forma sustentada, estruturar um programa polar sólido que permita manter as equipas que se enquadraram muito bem em grupos multinacionais, e que são competitivas, a trabalhar de forma continuada”. Neste âmbito está a ser criada uma plataforma inovadora de partilha de dados polares, a Polar Information Commons, para arquivar e partilhar dados de investigação.

Helena Geraldes
In http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1441980

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Darwin, um ponto de virada na história


O texto a seguir foi escrito pelo jornalista Daniel Piza, autor de livros como "Mistérios da Literatura - Poe, Machado, Conrad e Kafka", "Machado de Assis - um Génio Brasileiro" e "Contemporâneo de Mim - Dez Anos da Coluna Sinopse"

No seu bicentenário de nascimento, comemorado no dia 12 de fevereiro, Charles Darwin (1809- 1882) não poderia estar mais em evidência. Ele é visto, mais do que como um grande cientista, como um marco cultural, um ponto de virada irreversível na história da mentalidade. A prova disso está na série de livros que a efeméride - bem como os 150 anos da publicação de "A Origem das Espécies", que serão celebrados em Agosto - tem suscitado no mundo todo. Um deles, do jornalista americano Adam Gopnik, o situa ao lado do presidente Abraham Lincoln como um pai da civilização liberal moderna. É nos EUA, curiosamente um país onde a Teoria da Evolução ainda divide a opinião pública, ao contrário do que ocorre nos demais países desenvolvidos, que a maioria dos lançamentos tem ocorrido. Daqui até o final do ano, seguramente muitos outros sairão no mundo todo. No Brasil, por exemplo, está previsto para Maio "A Grande História da Evolução", de Richard Dawkins, um dos mais ardorosos e controversos defensores de Darwin nos últimos 30 anos.
Dos melhores livros publicados desde o fim de 2008 até agora, porém, não há previsão de tradução. O maior destaque é "Evolution - The First Four Billion Years", editado por Michael Ruse e Joseph Travis (Harvard) e prefaciado por outro célebre darwinista, Edward O. Wilson, que diz apostar que o volume será o mais abrangente entre todos os lançamentos do ano. A primeira parte traz análises do desenvolvimento da teoria nos mais diversos campos de pesquisa, como a origem da vida, a paleontologia, a biologia molecular, a genética, a sociologia e a psicologia. A segunda parte é um utilíssimo guia alfabético de personagens e conceitos da biologia evolutiva.
O ponto comum é a ampla comprovação experimental de suas ideias, ainda que em graus diferentes de uma disciplina para a outra. Darwin deixou claro em "A Origem das Espécies" que esperava que muito trabalho metódico seria feito para confirmá-la - além do que ele mesmo fez, razão principal pela qual demorou 30 anos para publicar a sua teoria em livro. E foi o que aconteceu.
A maior controvérsia, porém, é sobre sua aplicação para o estudo do comportamento humano. Em autores como Edward Wilson, trata-se apenas de uma questão de tempo para que se possa explicar 100% materialmente os traços da psique. Não que não haja controvérsia dentro da própria biologia. Uma visão completa da maneira como as espécies se adaptam, do mecanismo da selecção natural, ainda está por ser formulada. Para alguns, como Stephen Jay Gould, uma espécie pode ter vantagens comparativas sendo mais simples ou mais complexa. Para outros, como Simon Conway Morris, autor do recente "Deep Structure of Biology" (Templeton), a maior frequência de sucesso dá-se entre organismos mais complexos. A evolução seria progressiva, sim, embora isso não signifique que o homem esteja no topo de uma espécie de escala moral.
Biografias, claro, não poderiam faltar, ainda que os trabalhos de Janet Browne e da dupla Adrian Desmond e James Moore sejam tão consistentes. O próprio Desmond acaba de escrever "Darwin's Sacred Cause" (Houghton Mifflin Harcourt), que se detém na rejeição à escravidão que o génio vitoriano sentiu ao longo de toda a vida. Apesar de passagens do livro "A Descendência do Homem", sem dúvida nenhuma ele não subscreveria teses racistas que se apoiaram no evolucionismo para afirmar a superioridade de uma etnia sobre as demais. Quando passou por Salvador e Rio de Janeiro, em 1832, Darwin anotou no diário que jamais voltaria a pôr os pés num país escravocrata. Outro livro é "Charles & Emma", de Deborah Heiligman, que trata dos cuidados de Darwin em não atacar a religião em que sua esposa acreditava. Ele sabia que a defesa da selecção natural já era, em si mesma, um golpe no criacionismo. Mas não deixou de articular por correspondência, com nomes como Thomas Huxley, a defesa pública de sua ciência em face do clero. Sua obstinação, por sinal, é clara em todas as suas cartas de 1822 a 1859, reeditadas agora no volume "Origins" (Cambridge). Em "The Young Charles Darwin" (Yale) Keith Stewart Thomson mostra como ele, que só teve o "eureca" em 1838, depois da leitura de Malthus, já percebera como geólogo e naturalista do Beagle que as camadas de tempo se confundem, revelando uma história em que a variação é a regra e não a excepção. Foi esse o achado maior de Darwin, pois não ficou nos limites da história natural e ganhou a filosofia e a cultura.
Se em Lamarck a vantagem adaptativa era criada pela necessidade, em Darwin é a necessidade que premia a vantagem adaptativa. As mutações acontecem; o ambiente é que vai permitir que uma se afirme em detrimento de outra. Como a gravidade de Newton e a relatividade de Einstein, há uma lei invisível regendo os fenómenos.
Pesquisadores como Alfred Russell Wallace observaram a mesma revolução, mas não recolheram observações e generalizações com a grandeza de Darwin. Ele percorreu toda a órbita de sua originalidade, e é nesse planeta que vivemos até hoje.

Para ler sobre Darwin, em português:

"A Origem das Espécies", de Charles Darwin. Jorge Zahar Editor.

"Isto é Biologia", de Ernst Mayr. Companhia das Letras.

"Darwin e os Grandes Enigmas da Vida", de Stephen Jay Gould. Martins Editora.

"O Relojoeiro Cego", de Richard Dawkins. Companhia das Letras.

"Darwin - A Vida de um Evolucionista Atormentado", de Adrian Desmond e James Moore. Geração Editorial.

Fonte.http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Oração do DNA

Creio no DNA todo poderoso
criador de todos os seres vivos,
creio no RNA,
seu único filho,
que foi concebido por ordem a graça do DNA polimerase.
Nasceu como transcrito primário
padeceu sobre o poder das nucleases, metilases e poliadenilases.
Foi processa, modificado e transportado.
Desceu do citoplasma e em poucos segundos foi traduzido à proteína.
Subiu pelo retículo endoplasmático e o complexo de Golgi
E está ancorado à direita de uma proteína G
Na membrana plasmática
De onde há de vir a controlar a transdução de sinais
Em células normais e apoptóticas
Creio na Biologia Molecular
Na terapia gênica e na biotecnologia
No seqüenciamento do genoma humano
Na correção de mutações
Na clonagem da Dolly
Na vida eterna.
Amém

domingo, 15 de junho de 2008

Grandes Cientistas...

Darwin e a volta ao mundo pelo Beagle
Conheça a teoria revolucionária que surgiu das observações de uma viagem



Marinheiros, é hora de içar âncoras! Passageiros, embarquem! O capitão avisa que o veleiro Beagle está pronto para começar sua viagem ao redor do mundo! Os ventos que impediram o navio de zarpar duas vezes não apareceram hoje, 27 de dezembro de 1831, e o Beagle parte da Inglaterra. Leva a bordo um jovem inglês de 22 anos chamado Charles Darwin, o naturalista do navio. Seu trabalho é observar e estudar as características geológicas e naturais dos locais visitados. Darwin não receberá salário, mas quem precisa de dinheiro? A recompensa virá quando ele retornar à Inglaterra após cinco anos de viagem. Na bagagem, trará observações para desenvolver a teoria fundamental da biologia: a teoria da seleção natural.

Quem não gostou da viagem foi o pai de Darwin. Ele estava preocupado com o futuro do filho. E tinha motivos de sobra! Darwin havia abandonado a faculdade de medicina e, na época da partida do Beagle, estudava na Universidade de Cambridge para ser pastor. O pai de Darwin nem poderia imaginar que seu filho seria um importante cientista. Afinal, na infância, Darwin era considerado pelos professores um aluno com inteligência abaixo da média.


A bordo do Beagle, Darwin passou cinco semanas explorando as
ilhas Galápagos (imagens: Ciência Hoje na Escola, volume 9)



Darwin embarcou no veleiro e trabalhou muito para ser respeitado como cientista. Atingiu seu objetivo ao propor a teoria da seleção natural. Até o século 19, era aceita a idéia de que animais, vegetais e o homem foram criados por Deus e não mudaram desde então. Mas, durante o trajeto do Beagle, Darwin supôs que os seres vivos se modificavam. Notou que eles se adaptavam ao ambiente em que viviam e apresentavam características diferentes de acordo com o lugar que habitavam. Observou ainda que as espécies extintas e as atuais tinham pontos em comum.

Ao voltar a Londres, Darwin tentou descobrir por que os seres vivos se adaptavam ao ambiente. Em 1837, começou a pesquisar criações de animais e plantas. Viu que os fazendeiros escolhem para a reprodução animais com características vantajosas, como a força. O objetivo é aprimorar a espécie, pois os filhotes herdam as características dos pais. Mas como aplicar a seleção aos organismos que vivem na natureza?

A solução veio quando Darwin menos esperava! Em 1838, ele leu o livro Ensaio sobre o princípio da população, de Thomas Malthus. Segundo Malthus, é preciso controlar a natalidade para evitar epidemias, guerras e catástrofes geradas pelo excesso de população. Darwin percebeu que os seres vivos lutam pela sobrevivência e o vencedor é a espécie melhor adaptada ao ambiente. Os mais aptos e adaptados vivem por um período maior de tempo e geram mais filhos. Já os seres vivos menos aptos vivem menos e deixam número menor de descendentes. De forma gradual, aumenta a freqüência de mais aptos e diminui a de menos aptos. Até que os menos aptos desaparecem e são substituídos pelos mais aptos. Darwin havia formulado a teoria da evolução pela seleção natural! Mas o naturalista decidiu não escrever nenhuma linha sobre ela...


Mara Figueira, in Ciência Hoje das Crianças

Grandes Cientistas...

A história de Galileu Galilei
Conheça a vida do cientista italiano que verificou que a Terra gira em torno do Sol

Quando a professora de Ciências escreve no quadro que a Terra se move ao redor do Sol e de seu próprio eixo, ninguém mais fica assustado. Afinal, hoje, o movimento da Terra em torno do Sol, chamado translação, é bem conhecido. Também é sabido que os dias e as noites derivam do movimento de rotação - aquele em que a Terra faz ao redor de si mesma, do seu próprio eixo.
O matemático, astrónomo e físico italiano Galileu Galilei
Mas você sabia que nem sempre se pensou assim? Até o início do século 17, acreditava-se que a Terra ficava imóvel no centro do Universo e que o Sol, os planetas e as estrelas giravam ao seu redor. Na época, pensava-se até que, se a Terra girasse, os animais acabariam tontos! A hipótese de que o nosso planeta estava no centro do Universo constava nas escrituras sagradas e era defendida pelos padres. Como eles eram os maiores detentores de conhecimento, quem ousaria duvidar?
O cientista que imaginou um universo diferente do que a Igreja pregava foi o astrónomo polonês Nicolau Copérnico (1473-1543). Segundo sua teoria, o Sol estava no centro do Universo e os planetas giravam ao seu redor. Na época, Copérnico não conseguiu provar que o universo se organizava dessa maneira. Mesmo assim, foi advertido pela Igreja por estar se intrometendo em assuntos religiosos. Quem primeiro verificou que o Universo era bem diferente daquele que a Igreja aceitava foi o cientista italiano Galileu Galilei (1564-1642). Isso fez com que cada vez mais cientistas mudassem sua maneira de pensar, chegando a provar, finalmente, que era a Terra que se movia.

Mas como Galileu fez isso? Bom, tudo começou quando ele conheceu um instrumento inventado na Holanda, chamado luneta. Era o ano de 1609, e Galileu decidiu aperfeiçoá-la. Em um ano, ele conseguiu melhorar a capacidade de aumento e aproximação do instrumento em 20 vezes! Nascia ali o telescópio moderno. Na época, acreditava-se que todos os corpos celestes eram esferas perfeitas e imutáveis. Mas com seu instrumento de observação, Galileu conseguiu ver as formas acidentadas da Lua. Ele viu também manchas escuras se movendo na face do Sol, e percebeu que o planeta Vénus tinha fases como a Lua. Suas observações levavam a crer que Nicolau Copérnico estava certo quando disse que a terra girava ao redor do Sol. Por isso, Galileu foi repreendido pela Igreja Católica em 1616.
Acatando as ordens da Igreja, Galileu silenciou sobre o tema por sete anos. Logo ele, que declamava suas ideias em alto e bom som em jantares e debates, teve que se calar. Mas não parou de produzir! Galileu pesquisou coisas que afrontassem menos as ideias da Igreja, como colocar os satélites de Júpiter a serviço da navegação para ajudar os marinheiros a calcular a longitude das embarcações no mar.
Mas uma pessoa fez Galileu voltar a estudar os movimentos dos planetas...


Mara Figueira, in Ciência Hoje das Crianças

Grandes Cientistas ...

"Preciso levar essa ideia adiante..."
Conheça o cientista que mostrou que os os continentes eram unidos no passado

Atenção! Se você é do tipo de pessoa que vive perguntando o que somos, de onde viemos e como eram as coisas no passado, aqui está mais uma página para completar o misterioso livro da evolução. Você já imaginou como era o mundo há milhões de anos atrás? Pois era bem diferente do que é hoje. Quando olhamos para o globo, vemos cada continente ocupando sua posição de sempre, formando um desenho que já conhecemos muito bem. Mas e se cada continente fosse a peça de um quebra-cabeça? Será que poderíamos montá-lo, formando um único e enorme pedaço de terra?

A resposta é sim. Só que, para vermos esse quebra-cabeça montado, teríamos que voltar no tempo uns 250 milhões de anos... Isso porque, naquela época, os blocos continentais que hoje estão espalhados pelo globo formavam um único e grande continente. Esse mega-continente foi se dividindo e suas partes foram se afastando até chegarem à posição que ocupam actualmente. Espera aí... Isso quer dizer então que os continentes se mexem?!

Se essa ideia lhe causou espanto, imagine só a reacção das pessoas quando ela foi proposta em 1912 por um cientista alemão muito sabido chamado Alfred Wegener. A hipótese que levantou, revolucionária para a época, foi ridicularizada pela maioria de seus colegas. Poucos o apoiaram, pois sua proposta ia contra a crença aceita na época, segundo a qual os continentes e oceanos ocupariam posições permanentes no globo. Mas Wegener estava convencido da sua teoria. Só faltava provar...

Tudo começou em 1910, quando a semelhança entre os contornos dos diferentes continentes despertou a curiosidade de Alfred Wegener. Então, ele escreveu à sua futura esposa: "A costa leste da América do Sul não se encaixa perfeitamente na costa oeste da África, como se um dia tivessem estado juntas? Essa é uma ideia que preciso levar adiante." E foi o que fez. Pesquisando o assunto, descobriu que outros cientistas já tinham pensado na possibilidade de haver uma conexão entre os continentes no passado. Eles acreditavam, entretanto, que eles estavam ligados entre si por pontes de terra, que teriam afundado, formando os oceanos.

Há cerca de 225 milhões de anos, havia apenas um grande continente chamado Pangéia

Wegener propôs algo diferente: antigamente, existia um supercontinente, que chamou de Pangéia (do grego "terra total"). Há cerca de 200 milhões de anos, a Pangéia foi se dividindo em vários blocos, que foram se deslocando lentamente, percorrendo milhares de quilómetros até ocuparem a posição actual. Como prova disso, o cientista apontou uma série de semelhanças entre a costa da África e da América do Sul: o relevo das duas regiões se completava, como se tivessem sido formadas juntas e depois se separado e, apesar de haver um oceano entre os dois continentes, foram encontrados fósseis de animais da mesma espécie e época em ambos, bem como plantas parecidas.

Para convencer os cientistas, entretanto, faltava ainda encontrar a chave do problema: descobrir qual era a força que dava o "empurrãozinho" para os continentes se deslocarem.

Fonte: Júlia Dias Carneiro, Ciência Hoje das Crianças.