terça-feira, 30 de dezembro de 2014

As dez descobertas científicas mais importantes de 2014

A revista "Science" listou os principais feitos deste ano nos campos de medicina, robótica, biologia e paleontologia. O pouso da sonda espacial Rosetta ficou em primeiro lugar
ISABELLA CARRERA

Uma imagem de Rosetta orbitando o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Para os astrônomos, é importante obter mais informações sobre esses corpos celestes. Cometas como esse teriam trazido água à Terra, permitindo o surgimento de vida (Foto: Reprodução/ ESA)

O pouso da sonda espacial Rosetta sobre o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko foi considerado pela revista científica Science a descoberta científica mais importante de 2014. O ranking das dez recém-conquistas decisivas para a humanidade, promovido anualmente pelos editores da publicação e pela editora AAAS, foi divulgado na quinta-feira (18). Segundo os jurados, para entrar na lista, o feito deveria solucionar um problema contra o qual a população vinha lutando há muito tempo ou abrir portas para estudos futuros de grande importância.

O pouso da Rosetta ocorreu em novembro. O feito histórico não foi nada fácil: o cometa estava rodando sobre seu eixo enquanto o módulo da sonda, chamado Philae, ricocheteou antes de deitar-se sobre a superfície, longe do alvo. Rosetta está agora orbitando 67P e já envia à Terra observações decisivas. Ela conseguiu fotografar o que está por perto, coletar amostras dos gases da atmosfera local e detectar a presença de água, metano, hidrogênio e elementos raros como formaldeído e cianeto de hidrogênio.

Tais descobertas permitirão aos pesquisadores entender se a água e moléculas orgânicas de alguns cometas contribuíram com o aparecimento de vida na Terra bilhões de anos atrás. Os rastros de gás e poeira registrados pelo equipamento da Rosetta também podem indicar o processo de evolução dos cometas conforme se aproximam do Sol.

Confira abaixo os outros nove feitos reconhecidos na lista:


A transição entre dinossauro e pássaro

Trabalhos científicos compararam fósseis de dinossauros à estrutura de aves modernas. Eles revelaram quanto precisa é a teoria de que linhagens de dinossauros evoluíram para pássaros menores e mais leves, que sobreviveram à extinção 66 milhões de anos atrás.


Sangue novo consertando o velho

Pesquisadores demonstraram que o sangue de ratos jovens pode rejuvenescer os músculos e cérebros de ratos mais velhos. A constatação foi expandida ao Mal de Alzheimer, levando à realização de testes em que pacientes com a doença estão recebendo plasma de doadores mais novos.

Robôs cooperando

Com a ajuda de novos softwares, vimos robôs trabalhando em conjunto sem necessitar de supervisão ou interferência humana – desde instruir enxames de cupins a construir uma certa estrutura até cortar objetos em formas pré-determinadas.





Chips neuromórficos

2014 foi o ano em que chips projetados para imitar a arquitetura do cérebro humano chegaram a tamanhos maiores, processando informações de um jeito cada vez mais parecido com o funcionamento da nossa mente.

Células beta

Dois grupos de cientistas foram pioneiros ao desenvolver dois métodos distintos de criar células beta, responsáveis por produzir a insulina dentro do pâncreas, em laboratório. Essa conquista facilitou o estudo da diabetes.

Arte em cavernas na Indonésia

Descobriu-se que pinturas feitas à mão em cavernas da Indonésia datavam de 35 mil a 40 mil anos atrás, ao contrário dos 10 mil anos de idade estimados anteriormente. Esse dado sugere que humanos na região da Ásia começaram a desenhar símbolos no mesmo período que humanos da Europa.

Manipulação da memória

A optogenia, técnica de manipular a atividade dos neurônios por meio de raios de luz, ajudou pesquisadores a manipular lembranças específicas de ratos. Eles conseguiram substituir memórias existentes com outras falsas e trocar o contexto emocional de uma recordação.

CubeSats

CubeSats são satélites em formato de cubo, com arestas de apenas 10 centímetros. Apesar de existirem há mais de uma década e servirem de objeto educativo para universitários, especialistas dizem que neste ano sua tecnologia melhorou muito. 

Expansão do alfabeto genético

O DNA humano é formado por quatro tipos de nucleotídeos: G, T, C e A. Proteínas são formadas a partir de diferentes combinações entre eles. Em 2014, cientistas conseguiram inserir mais dois tipos de nucleotídeos, X e Y – ambos sintéticos e não existentes no organismo comum – na bactéria comum E.coli. Espera-se que, a partir desse feito, será possível criar proteínas nunca vistas antes e, assim, novos medicamentos e produtos industriais.

Fontes: http://epoca.globo.com/vida/noticia/2014/12/dez-bdescobertas-cientificas-mais-importantesb-de-2014.html

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