quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Catorze flamingos vistos no estuário do Douro

Uma população de 14 flamingos pousou na madrugada de domingo na reserva natural do estuário do Rio Douro para se alimentar, possivelmente em busca de “um novo sítio para colonizar”.
“Não havia observações de flamingos no Douro há muito tempo, mas tem-se registado a sua expansão para Norte, depois de há alguns anos terem sido vistos em Aveiro e em Esmoriz”, explicou Nuno Gomes Oliveira, director do Parque Biológico de Gaia, organismo que registou a ocorrência.
Os 14 flamingos avistados no Douro eram maioritariamente jovens, tendo entretanto abandonado o local por ser muito procurado pelos veraneantes durante a época balnear.
Após o nascimento, acrescentou Nuno Gomes Oliveira, os flamingos “procuram novos sítios para colonizar”.
Também pela primeira vez este ano, a população de flamingos do Algarve nidificou, verificando-se assim uma “expansão de população de flamingos em Portugal”. A grande zona de nidificação destas aves é em França, na zona da Provença, com alguns focos no Sul de Espanha.

Fonte: http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1449783

Resíduos para reciclagem duplicaram em cinco anos

Apesar da crise, continuou a aumentar no ano passado a quantidade de resíduos sólidos urbanos produzidos por cada cidadão português. Só o volume com origem na construção civil se retraiu. O recurso à reciclagem cresceu, mas estamos ainda longe da Europa.
Cada português originou, em 2009, cerca de um quilo e 680 gramas de resíduos sólidos urbanos por dia. O cálculo pode ser feito a partir do montante anual indicado pelo Instituto Nacional de Estatística: 511 quilos, um aumento significativo, se for tida em conta a média do período entre 2004 e 2009, estimada em 470 quilos.
Os números agregados pelo INE a partir dos sistemas de registo das entidades gestoras de resíduos mostram que se tem verificado “uma evolução favorável” nas quantidades de resíduos recolhidas selectivamente.
Entre 2004 e 2009 elas duplicaram, crescendo cerca de 15% ao ano, conta que engloba todo o tipo de materiais (pneus, por exemplo) e não só os que têm origem doméstica. Contudo, ainda terão de crescer mais para se atingir a média comunitária. No ano passado, ainda estávamos em 57% da média da UE.
A fileira do vidro é a que tem tido mais sucesso na recolha selectiva ao longo dos anos, mas a este material impuseram-se mais recentemente o papel e o cartão. Eles são agora os mais colocados para reciclagem. Para tanto concorre a participação do comércio e serviços. Fora do âmbito doméstico, também os veículos em fim de vida contribuiram para o aumento da reciclagem.
A soma dos resíduos produzidos por Portugal entre 2004 e 2009 foi de 172 milhões de toneladas, evidenciando um crescimento anual de 3% nesse período. Aquele total inclui desde resíduos de construção às pedreiras e indústria. Quase 20 milhões daquele conjunto foram resíduos perigosos.
O relatório do INE aponta como desafios para o futuro a redução da geração de resíduos e o aumento dos níveis de reciclagem e valorização. E na valorização não inclui propriamente a valorização energética (incineração) mas sim processos como a compostagem. É mesmo referido que a queima de resíduos ainda vai buscar 8% dos resíduos encaminhados para reciclagem.
O documento aponta também a necessidade de “desviar os resíduos valorizáveis dos aterros”, no caso dos compostos orgânicos, para fazer adubos verdes. O fim de vida dos aterros não chegaria, assim, tão depressa.
Para a presidente da Quercus, “estamos muito aquém” de metas desejáveis na reciclagem, tendo nós metas menos exigentes que outros parceiros europeus. Mas o que Susana Fonseca salienta é que “não houve coragem política de pôr em prática medidas como a redução de embalagens”.
A dirigente ambientalista considera que “nunca tivémos uma verdadeira prevenção de resíduos” e que foi perdida a tradição da reutilização, já irrecuperável agora. Por outro lado, afirma, há recursos nos resíduos (como os metais) que Portugal está a desperdiçar.

Eduarda Ferreira
In http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1634081

Mediterrâneo é mar mais rico e também o mais ameaçado

Mediterrâneo é dos mares com maior diversidade marinha, mas está a ser atingido pelo maior ritmo de perda de espécies e a ser invadido por exóticas. O retrato da situação surge no âmbito do Censo da Vida Marinha, feito por 2600 cientistas de 80 países.
Continua anunciada para Outubro próximo a divulgação da versão final do Censo da Vida Marinha, um trabalho iniciado há dez anos com o objectivo de fazer o levantamento e o estudo das espécies e ambientes existentes nos mares e oceanos de todo o mundo. Mas ontem, segunda-feira, na revista de divulgação científica PLoS ONE, foram já adiantadas as principais conclusões sobre o Mediterrâneo. O mar que nos fica próximo está em muito mau estado, avisam os cientistas.
Uma das situações mais evidentes, aos olhos dos investigadores, consiste na vulnerabilidade do Mediterrâneo às espécies invasoras. Eles contaram 637, o que equivale a cerca de 4% do total das mais de 17 mil espécies marinhas.
A maioria das exóticas são provenientes do Mar Vermelho e entraram através do canal do Suez, mas o seu caminho é também feito pela rota de Gibraltar. Apanham "boleia" dos cargueiros, seja no casco, seja na água que os navios transportam como lastro.
O Mediterrâneo é o ecossistema marinho mais ameaçado do mundo, a que se seguem o Golfo do México e o Mar da China, na sua plataforma continental, bem como o Báltico e a zona das Caraíbas.
Dados ainda provisórios indicam que as zonas marinhas com maior diversidade são as águas australianas e as do Japão. Em termos globais, os crustáceos correspondem a um quinto das espécies conhecidas.
As equipas de investigação têm recorrido às técnicas mais avançadas agora disponíveis para observação e recolha de amostras, como os submarinos controlados remotamente.
Os cientistas, que se aventuraram não só pelas águas dos mares tropicais, mas também pelas águas geladas próximas dos pólos, descobriram ajuntamentos curiosos de algumas espécies. Assim, no Pacífico localizaram aquilo a que deram o nome de "café dos tubarões brancos" ou o "recreio dos esturjões", sítios de confluência de inúmeros exemplares daquelas duas espécies. Nas suas explorações, identificaram também um molusco com a aparência de um mamute.
Esta investigação deverá continuar para além de 2010, segundo os coordenadores do Censo da Vida Marinha. Os resultados vão ser de acesso público através de bancos de dados a disponibilizar na internet.

Eduarda Ferreira
In http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1632592

O Montado de Sobro e os seus produtos

Convidamo-lo a conhecer alguns dos episódios mais curiosos e interessantes da história do nosso Montado de Sobro. Sabe onde é que foram produzidas as primeiras rolhas? E que uso davam os fenícios à cortiça? Leia e surpreenda-se!
O Montado é um sistema extremamente curioso. No nosso País, é cada vez mais conhecida e reconhecida a sua grande importância ecológica, económica e social. A cortiça, seu principal e mais conhecido produto é um recurso natural renovável, cuja exploração sustenta um ecossistema com uma considerável riqueza e diversidade de espécies de fauna e flora.
É interessante tentar perceber a razão pela qual sobreiro Quercus suber quase se restringe à área das bacias miocénicas do Tejo e Sado. Pensa-se que a sua área de distribuição seria mais alargada em tempos antigos. A origem do seu uso está ainda enevoada nos anais da História. Sabe-se que os fenícios utilizavam-na como utensílio de pesca - bóias. Foi também bastante usada pelos romanos que a chamavam de suber. Encontra-se aí a origem da sua denominação científica em latim. No nosso País, são conhecidas medidas de protecção do sobreiro como a proibição e punição de práticas como as queimadas, o varejamento indiscriminado do fruto, da colheita abundante de rama verde para alimentação do gado e os cortes indevidos.
A transformação industrial da cortiça a uma escala já considerável tem início há aproximadamente 100-150 anos. No princípio do século XIX, é na Catalunha, devido à sua relação com a região de Champanhe, que se dão os primeiros passos na produção de rolhas. Um dos seus factores desencadeantes foi o facto de D. Pierre Pérignon, mestre dispenseiro da abadia de Hautvillers, ter adoptado a cortiça como vedante das garrafas desse vinho espumoso substituindo as lascas de madeira forradas a cânhamo e embebidas em azeite. No entanto, sabe-se pelos levantamentos (inventários) das produções espanholas que, em 1875, não existia esta produção em Cáceres.
De uma forma um tanto ou quanto redutora mas realista, pode-se dizer que o sobreiro acabou por desaparecer onde as necessidades humanas de alimento se fizeram sentir antes de se iniciar a sua exploração. Ele manteve-se em zonas onde o valor agrícola aparece posteriormente ao da cortiça e madeira das congéneres arbóreas. Sabe-se, por exemplo, que para cada nau construída, utilizavam-se cerca de 5 ha de sobreiros. É evidente que esta estimativa omite o porte das árvores e a densidade do povoamento onde se encontravam. É, no entanto, interessante conhecer esta utilização adicional e dá nos uma indicação do papel relevante que desempenhou na expansão marítima portuguesa. A azinheira era usualmente preterida a favor do sobreiro por a sua madeira ser de mais difícil manuseamento para os carpinteiros e marceneiros.
A cortiça tem a curiosidade adicional de ter mantido o seu valor ao longo deste século. A intervenção humana como factor produtivo é muito superior ao que a maior parte das pessoas pensam. O montado, contrariando a comum ideia idílica de área natural, é um sistema artificial e antropomórfico, partilhando esta característica com, por exemplo, as vinhas do Douro. Sem esta constante intervenção humana, grande parte dos sobreiros teriam um porte arbustivo e existiriam apenas sobreirais e não montados.
Um momento histórico que, com as suas conhecidas vicissitudes, acabou por ter um efeito positivo no alargamento da área de montado foi a campanha do trigo. Ela foi a responsável pela instalação da maior mancha de sobro portuguesa. À medida que as terras iam sendo arroteadas, os agricultores iam largando e enterrando, em intervalos espaciais mais ou menos regulares, uma bolota. A área de ocupação do sobreiro cresceu desde os 300 000 ha no início deste século até aos cerca de 720 000 hectares que ocupava em 1995. É interessante referir que esta área representa 7.8% da área total de Portugal continental.
Durante a Segunda Guerra Mundial, foi instalado nos Estados Unidos da América (EUA), no estado da Califórnia um povoamento de sobreiros. Estes produzem cortiça de baixa qualidade. Durante este conflito, particularmente na sua fase inicial onde tudo parecia favorável para o lado das forças do eixo, os EUA não sabiam bem que partido Portugal tomaria. Resolveram assim garantir para eles uma reserva de cortiça. Isto pelas vantagens tecnológicas que possui - elevada elasticidade, compressibilidade, imputrescibilidade, capacidade de isolamento, baixa densidade e fraca permeabilidade. Ela é o único produto que pode ser comprimido milhões de vezes e retomar a forma original, característica muito importante e necessária para alguns componentes de alta tecnologia para fins bélicos ou civis.

Nuno Cruz António
In http://naturlink.sapo.pt/article.aspx?menuid=3&cid=3251&bl=1&viewall=true#Go_1

Exposição Fotográfica “Terra de Linces” no Castelo de Silves

Entre 2 de Agosto e 19 de Setembro de 2010 estará aberta ao público no Castelo de Silves a exposição fotográfica “Terra de Linces”, com um conjunto de fotografias verdadeiramente espectaculares do fotógrafo Andoni Canela.
A Parceria IBERLINX – EDIA, Águas do Algarve, Junta de Andaluzia, Ayuntamiento de Valência del Mombuey, organiza, com a colaboração do Município de Silves e do ICNB, a Exposição “Terra de Linces”, que estará aberta ao público no Castelo de Silves, entre 2 de Agosto e 19 de Setembro de 2010.
Trata-se de uma fantástica exposição fotográfica, com um conjunto de fotografias verdadeiramente espectaculares de linces-ibéricos Lynx pardinus em liberdade no seu habitat natural, de autoria do fotógrafo Andoni Canela.do fotógrafo Andoni Canela.
Andoni Canela é um fotógrafo profissional de nacionalidade Espanhola especializado em fotografia de Natureza. Vencedor do Prémio Godó de Fotojornalismo em 2009 por uma reportagem sobre o lobo-ibérico, o seu trabalho ilustra mais de 30 reportagens da revista National Geographic, em diferentes edições publicadas em Espanha, Portugal, Itália e França. Possui igualmente trabalhos publicados noutras publicações de prestígio como BBC Wildlife, Geo, Newsweek, La Vanguardia ou The Sunday Times.
O lince-ibérico é o felino mais ameaçado do mundo, tendo sido estimada em 2009 uma população global de 220-225 indivíduos, ocorrendo quase exclusivamente em Espanha, com algumas detecções esporádicas em Portugal. As causas do seu declínio populacional são diversas, mas relacionam-se sobretudo com a diminuição das populações de coelho-bravo, sua presa preferida, e a perda de habitat. Com efeito, a espécie sofreu um declínio acentuado desde meados do século XIX até ao final do século XX, tendo sido ainda estimado em 1988 um efectivo populacional total de 1000-1200 indivíduos, que chegou a menos de 200 indivíduos em 2005. Na sequência da implementação de diversas acções de conservação, aparentemente esta tendência negativa parece estar a inverter-se, tendo-se registado um pequeno crescimento populacional desde então.
Como resposta à precária situação da espécie, estão actualmente a ser implementados em Espanha e Portugal diversos programas de conservação, delineados para a recuperar em ambos os países, envolvendo o trabalho conjunto de equipas dos dois lados da fronteira e de diversas instituições públicas e privadas. A exposição “Terra de Linces” enquadra-se na componente de sensibilização ambiental do projecto IBERLINX, projecto que está a ser executado pela EDIA, Águas do Algarve, Junta de Andaluzia e o Ayuntamiento de Valência del Mombuey, com o apoio institucional do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, e que inclui igualmente diversas acções de conservação no terreno.
Esta exposição foi organizada para que possamos entender melhor o grande desafio de dar ao lince-ibérico um futuro no bravio das vastas regiões de Espanha e Portugal que estão a procurar tornar-se de novo terra de linces. Na exposição, Andoni Canela mostra-nos, de modo íntimo, o lince-ibérico e o seu habitat. A terra de linces é a nossa terra, o local que temos de partilhar com eles. A arte do fotógrafo leva-nos a reflectir sobre o que é necessário fazer para conseguir essa partilha.
Uma parte das fotos da “Terra de Linces” estará exposta no exterior, em grandes telas fotográficas distribuídas pelo (tão aprazível) Castelo de Silves, e outra parte estará disposta em 3 Torres do Castelo.
A inauguração da exposição dar-se-á às 18.30h do dia 2 de Agosto, mantendo-se aberta ao público até ao dia 19 de Setembro de 2010.

O seu horário é o seguinte:
Todos os dias: 9h00 – 18h30

Convidamo-lo(a) entusiasticamente a visitar a “Terra de Linces”. As razões para o fazer são múltiplas, sendo a extraordinária beleza e raridade das fotos de linces em liberdade no seu habitat, umas das principais. O portal Naturlink, enquanto canal ambiental do portal Sapo.pt, manterá actualizada toda a informação acerca da exposição.