sexta-feira, 9 de julho de 2010

Investigador português cria torneira que poupa água

Um investigador da Universidade de Aveiro (UA) criou uma torneira misturadora inovadora que vai permitir reduzir o desperdício de água em casa.

O dispositivo, que se encontra patenteado a nível internacional, permite reutilizar a água que é desperdiçada cada vez que abrimos a torneira da água quente e esperamos que ela aqueça.
"Em média, são três litros de água potável que correm diretamente para o esgoto, por cada utilização", estima Vítor Costa, que desde 2007 tem vindo a trabalhar neste projeto.
Com este sistema, segundo o investigador, a torneira só fornece água quando ela já está quente, de acordo com a temperatura desejada.

Poupança de centenas de litros de água

"A água fria, que se encontra na tubagem, entre a caldeira/esquentador e a torneira, é guardada num reservatório e entra novamente na rede, o que pode representar uma economia de centenas de litros de água no final do mês", adiantou o docente na UA.
O sistema pode também ser usado em instalações antigas sem a necessidade de fazer grandes obras de construção. "Pode usar-se com uma torneira usual, mas é preciso acrescentar um componente hidráulico e um reservatório que vai acumular a água", explicou.
Desenvolvido em conjunto com a Metalúrgica Luso-Italiana, uma empresa portuguesa que concentra a sua actividade no fabrico e comercialização de torneiras, este sistema misturador com função de poupança de água deverá chegar ao mercado ainda este ano.

Produto à venda "muito em breve"

"Temos alguns protótipos que funcionam e, neste momento, estamos na fase de fazer as últimas afinações", referiu Vítor Costa, que prevê que o produto possa estar à venda "muito em breve".
De acordo com o investigador, a perspetiva de comercialização e conquista de mercado por um produto deste género é "muito grande".
Vítor Costa diz que o sistema será "mais caro" do que uma torneira convencional, mas não tem dúvidas de que a diferença de preços irá compensar a médio/longo prazo, em termos da poupança da água.
O investigador sublinha ainda que a escolha deste produto pode ser importante para obter uma boa classificação energética dos edifícios, acrescentando que o sistema não usa qualquer fonte adicional de energia.

Chuveiros e autoclismos são os maiores responsáveis pelos gastos de água

De acordo com dados da Associação Nacional para a Qualidade nas Instalações Prediais (ANQIP), o desperdício doméstico de água em Portugal atinge anualmente 750 milhões de euros.
O presidente desta instituição, Silva Afonso, estima que se percam anualmente três mil milhões de metros cúbicos de água, metade em meio urbano, em edifícios e redes públicas.
Os chuveiros e autoclismos são os responsáveis pelos gastos domésticos mais significativos de água, entre 70 e 80 por cento.

Fonte: http://aeiou.expresso.pt/investigador-portugues-cria-torneira-que-poupa-agua=f592993

Sida: anticorpos travam vírus e abrem caminho a vacina

Mais de 90% das variantes do vírus VIH são bloqueadas em laboratório por moléculas e não infectam células.
Uma equipa internacional, coordenada por investigadores dos National Institute of Health, dos Estados Unidos, descobriu dois anticorpos que conseguem bloquear em laboratório a maior parte das variantes conhecidas do vírus VIH. A descoberta abre uma via nova nas pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina contra a sida, garantem os cientistas.
Mais de um quarto de século depois da identificação do VIH, que já fez 30 milhões de vítimas mortais até hoje, a procura de uma vacina contra a doença permanece um objectivo por cumprir, apesar dos enormes esforços da comunidade internacional e dos recursos mobilizados para a investigação nesse sentido.
A descoberta destes dois antigénios (moléculas que desencadeiam mecanismos de defesa por parte do organismo), que foram baptizados como VRCO1 e VRCO2, parecem muito promissores - pelo menos no laboratório.
Os cientistas observaram que eles impedem a infecção das células humanas por mais de 90% das variedades do VIH actualmente em circulação e com uma eficácia que nunca antes tinha sido observada.
Além disso, os investigadores conseguiram também desmontar o processo através do qual os anticorpos conseguem bloquear a acção do vírus.
A equipa norte-americana utilizou uma nova abordagem de trabalho, com uma proteína modificada do VIH, de forma que ela se fixasse em células específicas que produzem anticorpos para neutralizar o vírus.
Foi assim que descobriram os dois novos anticorpos, que são naturalmente produzidos no organismo dos seropositivos, como verificaram.
Os investigadores já começaram a desenvolver compostos de uma potencial vacina que induza o organismo a produzir grandes quantidades de anticorpos daquele tipo. A descoberta é publicada hoje revista Science.

Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1614043&seccao=Sa%FAde

'Rosetta' encontra-se amanhã com asteróide

Sonda da ESA vai passar junto ao Lutetia, que tem cem quilómetros de diâmetro e é o maior asteróide visitado por uma nave terrestre. Imagens serão divulgadas à noite.
Amanhã é dia D para a sonda Rosetta da agência espacial europeia (ESA). A nave, com todos os seus instrumentos de observação a postos, tem um encontro marcado com o Lutetia, o maior asteróide jamais visitado por um aparelho terrestre. Os cientistas da ESA esperam novidades deste rendez-vous, que foi preparado ao milímetro nas últimas semanas.
No ESOC, o centro de operações espaciais da agência espacial europeia, em Darmstadt, Alemanha, está tudo a postos para aproveitar ao máximo a passagem da Rosetta junto ao Lutetia.
A maior proximidade entre os dois será de 3200 quilómetros e a sonda estará a viajar a uma velocidade de cerca de 54 mil quilómetros por hora, mas a essa distância ela conseguirá englobar todo o imenso asteróide, cujo diâmetro é de mais de cem quilómetros, nas suas objectivas a fim de obter boas imagens.
"É uma ocasião de sonho para observar o corpo primitivo [contemporâneo da formação do sistema solar] que é um asteróide", afirmou a ESA sobre este momento crucial da missão.
O encontro está marcado para a s15.45 GMT de amanhã e ao longo de duas horas os instrumentos da Rosetta e do Philae - o pequeno aparelho que ela transporta e que vai aterrar no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, em 2014 - estarão quase todos apontados para o Lutetia.
A ideia é recolher o máximo possível de dados e de imagens daquele grande asteróide, sobre o qual pouco ou nada se sabe neste momento.
Não se sabe sequer, por exemplo, como é a sua superfície. No entanto, se tudo correr como os especialistas da missão esperam, a partir de amanhã isso vai mudar.
Após a recolha e análise dos dados que a sonda vai enviar para a Terra, a ESA prevê divulgar as primeiras imagens do Lutetia amanhã ainda, por volta da 21.00.
O Lutetia é um dos milhares de corpos que povoam a cintura de asteróides, situada entre os planetas Marte e Júpiter, a mais de 450 milhões de quilómetros da Terra.
A enorme distância a que este encontro vai acontecer implica que os primeiros sinais levarão meia hora a viajar até à Terra. Meia hora que será certamente um período de nervos em Darmstadt.
Para se perceber a dificuldade da missão e o nível de precisão exigido para que tudo corra bem, os especialistas da ESA usam uma comparação. Para a sonda, que viaja à velocidade de 54 mil quilómetros por hora, fazer fotografias do Lutetia "é como enviar um carro teleguiado a cem quilómetros por hora, numa auto- -estrada, para fotografar um objecto a seis metros de distância, tendo fixado a hora exacta do disparo da máquina um mês antes".
No encontro de amanhã, a Rosetta fará imagens, medições do campo magnético e dos efeitos gravitacionais do asteróide e os cientistas ficarão a conhecer a sua massa, forma e composição. Depois, a sonda seguirá o seu caminho, para se encontrar com o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko em 2014 e não fará mais observações até lá.

FILOMENA NAVES
in http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1614066

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Descoberto o Moby Dick do Miocénico

Se Herman Melville pusesse os olhos no desenho que mostra o Leviathan melvillei em acção, o cachalote albino que protagoniza Moby Dick poderia ter um concorrente à altura.
Mas da baleia prima dos cachalotes, que seria o predador carnívoro por excelência dos mares do Miocénico, há cerca de 13 milhões de anos na região do Peru, só restam os fósseis encontrados em 2008. Dois anos a estudar os dentes e partes do crânio do cetáceo permitiram descrever uma nova espécie, cuja ecologia seria completamente diferente. O artigo da descoberta é publicado por uma equipa internacional esta semana na revista Nature.

O nome específico do mamífero gigante foi uma reverência ao autor de Moby Dick. Leviathan era o nome dado aos grandes monstros marinhos que povoam o imaginário da humanidade desde a antiguidade.
A baleia pertence à família dos cachalotes e tem um tamanho semelhante mas, ao contrário destes, é provável que se alimentasse de outras baleias. Os cachalotes abocanham lulas, outros cefalópodes e peixes e não utilizam os dentes para se alimentar.
Os fósseis do crânio do Leviathan foram encontrados no deserto de Pisco Ica, no Peru, em sedimentos com idade entre os 12 e 13 milhões de anos. A descoberta foi feita por Klaas Post – curador do Museu de História Natural de Roterdão, na Holanda.
As medições dos fósseis indicam que esta baleia tinha entre os 13 e os 18 metros de
comprimento. A cabeça do monstro marinho chegava aos três metros. Os dentes, que se encontravam em ambas as mandíbulas, tinham até 12 centímetros de comprimento e 36 cm de largura. Com esta dentição, pensa-se que o Leviathan fosse capaz de caçar e rasgar carne, estando no topo da teia alimentar, como hoje está a orca.
A baleia pré-histórica teria sido predadora de outras baleias mais pequenas, com cerca de oito metros de comprimento. Os vários esqueletos de uma espécie mais pequena de baleia de barbas descoberta na mesma região reforçam esta teoria.
O cachalote, o maior representante de hoje da família do Leviathan prefere alimentar-se de lulas gigantes e outros cefalópodes que vivem a grandes profundidades. O cetáceo, com uma média de 16 metros, tem dentes cilíndricos na mandíbula inferior e na mandíbula superior tem dentes pouco desenvolvidos.
Hoje, é a orca quem faz o papel de maior predador cetáceo dos oceanos. O mamífero da família dos golfinhos tem cerca de nove metros e alimenta-se de outros animais, como leões-marinhos, pinguins e até cachalotes.

Fonte:http://www.publico.pt/Ciências/descoberto-o-moby-dick-do-miocenico_1444643
Imagem: Nature