terça-feira, 29 de junho de 2010

Identificada em Odemira uma espécie de rã ameaçada

Três alunos da Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves identificaram, na região de Odemira, a rã-de-focinho-pontiagudo, da família Discoglossidae, considerada protegida e que se encontra ameaçada por destruição do seu habitat. Os três alunos identificaram ainda novas espécies de anfíbios e répteis.
Esta descoberta valeu-lhes o terceiro lugar no Concurso Nacional para Jovens Cientistas e Investigadores e a possibilidade de participação na Semana Internacional de Investigação, na Suíça, que decorre desde anteontem e até 3 de Julho. Francisco Silva, João Pedro Pereira e Rúben Gonçalinho garantiram a presença na Semana Internacional de Investigação, que junta na Suíça, mais de 20 jovens cientistas, entre os 17 e os 20 anos, de diferentes nacionalidades, durante uma semana.
Os jovens explicam que a ideia surgiu quando se depararam, pela primeira vez, com o atlas editado em 2008 pelo Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade. Perceberam então que algumas espécies que estavam habituados a ver na zona de Odemira "não se encontravam registadas nas respectivas quadrículas".
Orientados pela professora Paula Canha, "calçaram as botas de borracha e os impermeáveis" e, durante alguns meses, percorreram charcos, munidos de recipientes para a identificação das larvas de anfíbios, réguas, lanternas e máquina fotográfica. De entre as espécies com maior número de novos registos, destacam-se o tritão-de-ventre-laranja (Lissotriton boscai), com cinco novos registos, a rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi), com dois, a cobra-cega (Blanus cinereus), com quatro, a cobra-de-ferradura (Hemorrhois hippocrepis), com quatro, e a cobra-de-capuz (Macroprotodon brevis), com dois.
A presença dos "jovens investigadores" na Suíça conta com o apoio da Fundação da Juventude, entidade que vai promover a Final Europeia para Jovens Cientistas que decorrerá em Lisboa, no próximo mês de Setembro.

Carlos Dias
In http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1444333

Nove associações ambientalistas boicotam fundo da EDP para projectos na área da biodiversidade

Nove organizações não-governamentais (ONG) de ambiente irão boicotar, pelo segundo ano consecutivo, um fundo da EDP para projectos na área da biodiversidade, em protesto contra a forma como a empresa tem promovido a construção de grandes barragens.
Desde o ano passado que várias ONG de ambiente vêm criticando uma campanha publicitária lançada pela EDP, na qual as barragens aparecem associadas à protecção da natureza e à preservação da biodiversidade.
As nove organizações - Associação Cívica Pró-Tâmega, Associação de Defesa da Praia da Madalena, Associação Amigos do Vale do Rio Tua, CEAI, Coagret, FAPAS, GAIA, GEOTA e Quercus - acusam a EDP de ser "um dos principais promotores da destruição dos rios e da biodiversidade em Portugal" e de assumir uma "postura hipócrita" com a sua campanha.
Por isso, nenhuma dessas organizações irá concorrer ao Fundo EDP Biodiversidade, lançado em 2008 e que distribui 500 mil euros por ano a projectos nessa área.
A EDP tem cinco projectos de novas barragens em curso (Baixo Sabor, Foz Tua, Fridão, Alvito e Ribeiradio). Os ambientalistas argumentam que o uso eficiente da energia permite poupar a mesma electricidade que será produzida pelos novos empreendimentos.
Contactada pelo PÚBLICO, a EDP declarou, numa comunicação enviada por e-mail, que o seu fundo para a biodiversidade "está disponível para as instituições que livremente se queiram associar a uma missão que é de todos e que ganha uma importância acrescida tratando-se do ano internacional para a biodiversidade". A EDP não respondeu a questões concretas do PÚBLICO acerca das críticas dos ambientalistas e do boicote em si.
O Fundo EDP para a Biodiversidade tem um total de 2,5 milhões de euros, para serem aplicados até 2011 no conhecimento científico e na conservação da biodiversidade. Em 2008 e 2009, três projectos em cada ano foram seleccionados, entre mais de uma centena de candidatos.

Ricardo Garcia
In http://ecosfera.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1444318

Botânicos redescobrem planta que se pensava extinta

Os botânicos perderam-no de vista em 1950 e deram-no como extinto mas hoje, os Jardins Botânicos de Kew anunciaram que o feto Anogramma ascensionis foi encontrado na ilha de Ascensão, no Atlântico.
O pequeno feto foi encontrado, por acaso, pelos botânicos Phil Lambdon e Stedson Stroud – do Departamento de Conservação da ilha - que faziam um inventário de rotina às espécies de plantas da ilha de Ascensão. Quando decidiram descer uma encosta da montanha Verde, o vulcão da ilha, aperceberam-se de um minúsculo feto agarrado a uma rocha. Depressa reconheceram nele o Anogramma ascensionis.
Apenas foram encontradas quatro plantas, “numa precária existência” devido à falta de água. Mas, a julgar pelos testemunhos do botânico Sir Joseph Hooker, que lá esteve em 1876, a espécie era relativamente comum na ilha. O feto foi visto pela última vez em 1958 e em 2003 foi declarado extinto. Os Jardins Kew, que ajudaram na missão, acreditam que tal se deve à competição de outras espécies de fetos mais resistentes.
Mas a descoberta foi apenas o início de um desafio conservacionista que, nos últimos meses, tem tentado recuperar uma população frágil.
Os fetos estão agora a crescer numa estufa na ilha de Ascensão e nos Jardins Kew, em Londres, a partir dos esporos produzidos por duas das plantas. Das quatro plantas iniciais existem já 60. “Vamos fazer tudo o que nos for possível para manter estes fetos vivos”, comentou Stedson.
“Até agora, o cultivo desta planta frágil está a correr conforme o previsto, provavelmente até melhor do que qualquer pessoa tenha pensado”, comentou Matti Niissalo, responsável pelo Departamento de Conservação de Ascensão.
Actualmente apenas se conhecem dez espécies de plantas endémicas em Ascensão, ilha vulcânica. As cabras introduzidas pelos exploradores portugueses por volta de 1500 alimentaram-se da vegetação da ilha, antes de as espécies serem descobertas para a ciência. Não restou muito depois da introdução de coelhos, ovelhas, ratos, burros e mais de 200 espécies de plantas invasoras.
“Esperamos que este feto seja devolvido aos seus habitats na montanha, onde terá ajudado a estabilizar aquelas encostas”, segundo os Jardins Kew.
No entanto, alertam os botânicos, “todos os endemismos de Ascensão continuam perigosamente à beira da extinção”.
“Numa altura de perda de biodiversidade sem precedentes, esta descoberta excitante dá-nos esperança de que as espécies possam resistir”, comentou Stephen Hopper, director dos Jardins londrinos.
O trabalho foi conduzido pelo Projecto de Conservação de Plantas Endémicas da Ilha Ascensão, financiado pelo OTEP (Overseas Territories Environment Programme).

Fonte: http://aeiou.expresso.pt/ciencia?mid1=ex.menus/255

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Entomologia forense

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O Microscópio

Sem o microscópio a ciência não existiria. É da história deste invento que o jornalista Rui Tukayana fala nesta edição de Mundo Novo.
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Penicilina

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Pólen combate crime

Ficamos a conhecer uma técnica de investigação que poderia estar nos ecrãs da série CSI... um projecto para a utilização do pólen nas investigações criminais.

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Sismo raro sacode Canadá e nordeste dos Estados Unidos

Um tremor de terra com magnitude estimada em 5.0 graus Richter foi esta quarta-feira sentido nas cidades canadianas de Otava, Toronto e Montreal, bem como nos estados norte-americanos de Nova Iorque, Pensilvânia e Ohio, entre outros.
O abalo não fez vítimas e provocou danos ligeiros apenas na zona de Otava, a capital do Canadá, a 50 quilómetros do epicentro. O sismo provocou algum pânico em Montreal e em Toronto, a maior metrópole do país, que se prepara para receber a cimeira do G20, esta semana.
O tremor, o mais forte em décadas naquela área, foi também sentido ao longo do nordeste dos Estados Unidos, no triângulo entre Detroit, Boston e Washington.
O evento é particularmente raro naquela parte da América do Norte, que ao contrário da costa do Pacífico está afastada das principais zonas de actividade sísmica.

Fonte: http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=176704

Investigadora portuguesa recebe prémio internacional por trabalhos na Antárctida

A investigadora Vanessa Batista, do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, foi premiada na maior conferência internacional sobre ciência polar, que decorreu no início do mês em Oslo, pelo seu trabalho sobre o permafrost, o solo permanentemente gelado, na Antárctida.
Vanessa Batista recebeu a distinção “Outstanding Presentation for Early Career Scientists”, na categoria “Mudanças passadas, presentes e futures nas regiões polares”, informou o Comité Polar Português. A investigadora foi um dos 12 jovens cientistas seleccionados de um total de 750.
“Este prémio vem reconhecer a importância do trabalho de Vanessa Batista realizado na ilha Deception na Antárctida Marítima, sobre os factores que controlam a camada activa do permafrost, a nível espacial e temporal”, justifica o Comité português.
A investigação de Batista, que contou com o apoio de colegas espanhóis e argentinos, pretendeu compreender as influências da altitude e de outros factores na espessura das camadas de gelo naquela ilha vulcânica. Para isso foram instaladas estações de medição da espessura do permafrost a várias altitudes e as observações decorreram durante os Verões na Antárctida de 2009 e 2010.
O prémio foi atribuído durante a maior conferência polar de sempre (de 8 a 12 de Junho), onde participaram 2300 cientistas de todo o mundo, para apresentar os primeiros resultados do Ano Polar Internacional (2007-2009). Portugal esteve representado por onze investigadores de várias instituições.
Gonçalo Vieira, do Comité Português para o Ano Polar Internacional, explicou ao PÚBLICO que, durante o Ano Polar, “houve áreas em que se avançou bastante”, como o conhecimento da quantidade de carbono armazenado no permafrost do Árctico e o estudo do mar gelado no Antárctico e no Árctico e nas suas reacções em cenários de aquecimento global. Além disso, “pela primeira vez, houve uma interacção muito forte entre as ciências sociais e as outras ciências, bem como com os povos do Árctico. Este esforço ajudou a conhecer muito melhor os problemas destes povos e também aspectos relacionados com mudanças ambientais difíceis de quantificar”, considerou.

Oceano austral e permafrost entre as maiores contribuições portuguesas

O Ano Polar Internacional ajudou a promover a investigação portuguesa nestas regiões. Desde a aprovação do Programa Polar Português, em Dezembro de 2007, dezenas de cientistas têm contribuído para aumentar o conhecimento polar. Entre as áreas com maiores contribuições portuguesas estão o estudo do ecossistema do Oceano Austral e o estudo do permafrost antárctico, referiu.
Acima de tudo, Gonçalo Vieira considera que o Ano Polar Internacional “fez com que a comunidade se unisse. Dinamizaram-se muitíssimas colaborações internacionais nos dois pólos” e “ofereceram-se bolsas para formação de jovens investigadores”, ajudando a atrair investigadores para as regiões polares.
Agora, no final da iniciativa, o investigador considera importante não perder o “momentum” e conseguir “potenciar o investimento, em especial aquele que foi feito ao nível das redes de monitorização e de recursos humanos”. “Em Portugal, por exemplo, conseguimos criar massa crítica e ampliar muito o interesse pela ciência polar; agora é necessário, de forma sustentada, estruturar um programa polar sólido que permita manter as equipas que se enquadraram muito bem em grupos multinacionais, e que são competitivas, a trabalhar de forma continuada”. Neste âmbito está a ser criada uma plataforma inovadora de partilha de dados polares, a Polar Information Commons, para arquivar e partilhar dados de investigação.

Helena Geraldes
In http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1441980

Reino Unido enfrentará crise alimentar se não ajudar as abelhas

O Governo britânico lançou hoje um projecto, orçado em 10 milhões de libras (11,9 milhões de euros), para descobrir como travar o desaparecimento de abelhas e outros insectos polinizadores no país. Dentro de uma geração, poderá ter em mãos uma crise alimentar, alertam os cientistas.
As abelhas estão a desaparecer do Reino Unido a um ritmo mais elevado do que em qualquer outro país europeu. Segundo o jornal “Daily Telegraph”, mais de metade das colmeias morreu nos últimos 20 anos.
Estes animais, bem como outros insectos, polinizam e fertilizam as plantas das quais tiramos alimentos, como maçãs e abóboras, e são o garante da qualidade de frutos e legumes. Por exemplo, o “The Guardian” sublinha que o número de sementes de uma abóbora depende do número de espécies de insectos que polinizaram a planta.
Assim, mais do que conservar a biodiversidade, o programa “Insect Pollinator Initiative” – que inclui nove projectos de investigação, a decorrer ao longo de cinco anos - pretende responder a um problema de segurança alimentar, comentou Matt Shardlow, director-executivo da organização Buglife. Este será o maior estudo realizado naquele país sobre as razões do desaparecimento dos insectos.
Tanto mais que se estima que o serviço prestado por estes insectos polinizadores represente um valor de 440 milhões de libras (526 milhões de euros) para a economia britânica. Dito de outra forma, se todos os insectos polinizadores desaparecessem do Reino Unido, as quebras de produtividade agrícola custariam à economia britânica 440 milhões de libras por ano.
Segundo o “Daily Telegraph”, a Universidade de Dundee vai investigar se alguns pesticidas danificam o sistema nervoso das abelhas, impedindo-as de encontrar as melhores fontes de alimento ou afectando a sua capacidade para se alimentarem e regressarem à colmeia.
Já a Universidade de Bristol vai analisar se as abelhas “gostam” mais de ambientes urbanos ou de “monoculturas” de plantações em espaços rurais. A investigadora Jane Memmott vai identificar os locais mais ricos em espécies de insectos polinizadores em Bristol, Reading, Leeds e Edimburgo.
Lorde Henley, ministro do Ambiente, explicou que estes projectos visam perceber as razões do desaparecimento das abelhas e apresentar formas para aumentar as suas populações. “As abelhas, e as borboletas têm um papel essencial para que tenhamos comida na nossa mesa, através da polinização de muitas plantações vitais. Esta iniciativa vai ajudar-nos a identificar por que razão estão os números das abelhas a diminuir e o que nos pode ajudar a tomar as medidas certas”, comentou, citado pelo “Daily Telegraph”.

Fonte: http://ecosfera.publico.pt/biodiversidade/Details/reino-unido-enfrentara-crise-alimentar-se-nao-ajudar-as-abelhas_1443124