quarta-feira, 9 de julho de 2008
Perito Moreno derrete mais cedo que habitual
Pela primeira vez em 90 anos, o glaciar ao largo da Patagónia argentina rompeu no Inverno. Para os cientistas, a explicação está no aquecimento globalUm bloco de gelo com 60 metros de altura e vários milhares de toneladas desprendeu-se no domingo do glaciar argentino Perito Moreno, um fenómeno raro em pleno Inverno austral, consideram cientistas e ecologistas.
"É a primeira vez que o glaciar se quebra no Inverno. Isso pode estar ligado ao sobreaquecimento global. O aumento da temperatura afecta a resistência do gelo", comentou Carlos Corvalan, director do Parque Nacional dos Glaciares na província argentina de Santa Cruz, no Sul do país.
A ruptura do glaciar é um dos espectáculos naturais mais impressionantes do mundo e atrai milhares de turistas todos os Verões.
"As causas desta ruptura no Inverno podem ser várias, a começar pelo facto de o glaciar ter cerca de 400 anos, o que implica que pode já estar frágil", salientou uma outra fonte do Parque.
Já Norberto Ovando, perito da Comissão Mundial das Zonas Protegidas, disse ao diário local Rio Negro que este desprendimento no Inverno é um indicador do aquecimento global do planeta.
O glaciar de Perito Moreno situa--se a cerca de 2800 quilómetros de Buenos Aires e estende-se por 275 quilómetros quadrados, numa frente de quatro a cinco quilómetros. A massa de gelo deve o seu nome a um dos pioneiros argentinos da exploração desta região da Patagónia argentina e faz parte do grupo dos Gelos Continentais.
Estudos oficiais dão conta de avanços e recuos do colosso gelado, pelo menos, desde 1917, cujos ciclos de crescimento e ruptura se tornaram irregulares devido às alterações climáticas.
Fonte: Filomena Martins, in DN, 9 de Julho de 2008
sexta-feira, 4 de julho de 2008
"O céu dividiu-se em dois e apareceu um grande fogo"
Tunguska. De tempos a tempos, asteróides e restos de cometas cruzam o caminho com o da Terra. Foi o que aconteceu a 30 de Junho de 1908, há um século, quando um destes objectos, com 10 metros de comprimento, explodiu sobre a Sibéria, devastando dois mil quilómetros quadrados de floresta.Um fogo no céu, uma explosão e muita sorte
"O céu dividiu-se em dois e apareceu um grande fogo lá em cima, sobre a floresta. Então o buraco no céu cresceu e todo ele, no lado norte, se incendiou. Fiquei com um calor insuportável, como se a minha a camisa estivesse em fogo, queria tirá-la, mas de repente o céu fechou-se, houve um estrondo enorme e senti-me atirado para longe, alguns metros."
O relato impressionante é de um dos raros habitantes de Tunguska, bem no centro da Sibéria, que teve o duplo privilégio de presenciar o maior impacto dos tempos modernos de um asteróide (ou resto de cometa, não há certezas) com a Terra, e de lhe ter sobrevivido. O fenómeno de Tunguska ocorreu a 30 de Junho de 1908, já de noite, às 19.17 (hora local), fez ontem precisamente um século.
A descrição foi recolhida no local pelo mineralogista russo Leonid Kulik, que ali se deslocou em 1921, 13 anos depois do sucedido, para estudar o fenómeno. Foi Kulik quem pela primeira vez documentou a devastação causada pelo impacto e quem primeiro se apercebeu de que a causa mais provável para a devastação que encontrou era a queda de um asteróide.
Na sequência dessa primeira visita ao local, Leonid Kulik conseguiu convencer as autoridades do seu país a organizar uma expedição que pudesse estudar toda a vasta região afectada, o que acabou por se concretizar em 1927.
Os dados então recolhidos permitiram reconstituir o acontecimento e determinar os seus efeitos. Em números: 80 milhões de árvores, numa vasta região abrangendo dois mil quilómetros quadrados junto ao rio Tunguska (daí, o nome) ficaram achatadas junto ao solo; a explosão do objecto (asteróide ou resto de cometa, não se sabe ao certo) foi equivalente a mil bombas idênticas às que deflagraram em Hiroxima; 60 quilómetros em redor do epicentro da explosão, as pessoas foram atiradas ao chão e há pelo menos notícia de uma vítima mortal, arremessada contra uma árvore.
Tanto quanto se pôde apurar, o asteróide teria cerca de 10 metros de comprimento e desintegrou-se (proporcionando o espectáculo já descrito) entre cinco e 10 quilómetros acima do solo.
Conferências científicas, realizadas ontem em Moscovo e Estados Unidos para assinalar os cem anos do acontecimento, centraram-se na possibilidade de novas colisões no futuro. As estatísticas até já estão feitas: a Terra embate a cada três mil anos com objectos desta dimensão, que chegam até aqui, vindos do espaço.
Fonte: FILOMENA NAVES, in DN, 1 de Julho de 2008
Hormona das vacas reduz emissões de gases de estufa

Veterinária. Cientistas norte-americanos apresentaram ontem um estudo que pretende demonstrar que a aplicação de um suplemento de hormona de crescimento no gado bovino permite reduzir drasticamente o número de vacas necessárias para produzir a mesma quantidade de leite.
Gado produz mais poluição que os automóveis
A aplicação nas vacas de uma hormona de crescimento reconstituída artificialmente, mas existente na pituitária destes animais, pode aumentar a produção de leite em cerca de 84%. Segundo um estudo da Universidade de Cornell (Nova Iorque), publicado ontem na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, a nova tecnologia permitirá ainda reduzir os gases com efeito de estufa, só nos Estados Unidos, equivalentes a 400 mil veículos motorizados em andamento.
Os autores do estudo começam por frisar que a produção de leite em grande escala requer vastas superfícies de pasto e uma aplicação intensiva de energia, necessária na produção da alimentação do gado bovino. Mas o recurso a injecções da hormona bovina somatotropina reconstituída (STH) permite reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) e de metano, já que reduz a necessidade de adubos e fertilizantes aplicados às pastagens.
Ao mesmo tempo, assegura as necessidades estimadas futuras de abastecimento de leite. Os autores do estudo estimam que na primeira metade do século XXI a Humanidade terá de conseguir alimentos em quantidade idêntica a todos os que até final do século passado foram produzidos em toda a História.
A investigação demonstra igualmente que a introdução no sistema sanguíneo das vacas de uma dose diária de STH faz com que 157 mil animais produzam o mesmo leite que um milhão sem a mesma hormona.
Esta diferença permitiria economizar 491 mil toneladas de milho e 158 mil de soja, num total de 2,3 milhões de toneladas de alimento global. Também foi testado o efeito nos terrenos cultivados, que diminuiriam 219 mil hectares.
Os Estados Unidos tinham, no final do ano passado, 9,2 milhões de vacas. Cada milhão injectado com a STH (que é uma hormona de crescimento) poderia impedir a emissão de 824 mil toneladas de CO2 e 41 mil de metano, para além de 96 toneladas de monóxido de azoto. Trata-se dos principais gases que contribuem para o efeito de estufa, determinante para o aquecimento global. Também a acidificação da água seria minorada com a aplicação generalizada desta nova tecnologia.
A nível mundial, o gado bovino produz mais gases com efeito de estufa do que a circulação automóvel, segundo dados de 2006 da FAO (Organização Mundial para a Agricultura e Alimentação). Embora só seja responsável pela emissão de 9% do CO2, outros gases bem mais nocivos concentram-se na produção de gado. Assim, esta é responsável por 65% de hemióxido de azoto - imputável essencialmente ao estrume -, que é um gás 296 vezes mais nocivo para o aquecimento global que o CO2.
O gado é igualmente produtor de 37% do metano, que incide nas alterações climáticas 23 vezes mais que o CO2. O metano advém da actividade digestiva dos ruminantes. Finalmente, 64% do amoníaco lançado na atmosfera é também da responsabilidade da criação de gado, contribuindo para o fenómeno das chuvas ácidas.
Gado produz mais poluição que os automóveis
A aplicação nas vacas de uma hormona de crescimento reconstituída artificialmente, mas existente na pituitária destes animais, pode aumentar a produção de leite em cerca de 84%. Segundo um estudo da Universidade de Cornell (Nova Iorque), publicado ontem na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, a nova tecnologia permitirá ainda reduzir os gases com efeito de estufa, só nos Estados Unidos, equivalentes a 400 mil veículos motorizados em andamento.
Os autores do estudo começam por frisar que a produção de leite em grande escala requer vastas superfícies de pasto e uma aplicação intensiva de energia, necessária na produção da alimentação do gado bovino. Mas o recurso a injecções da hormona bovina somatotropina reconstituída (STH) permite reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) e de metano, já que reduz a necessidade de adubos e fertilizantes aplicados às pastagens.
Ao mesmo tempo, assegura as necessidades estimadas futuras de abastecimento de leite. Os autores do estudo estimam que na primeira metade do século XXI a Humanidade terá de conseguir alimentos em quantidade idêntica a todos os que até final do século passado foram produzidos em toda a História.
A investigação demonstra igualmente que a introdução no sistema sanguíneo das vacas de uma dose diária de STH faz com que 157 mil animais produzam o mesmo leite que um milhão sem a mesma hormona.
Esta diferença permitiria economizar 491 mil toneladas de milho e 158 mil de soja, num total de 2,3 milhões de toneladas de alimento global. Também foi testado o efeito nos terrenos cultivados, que diminuiriam 219 mil hectares.
Os Estados Unidos tinham, no final do ano passado, 9,2 milhões de vacas. Cada milhão injectado com a STH (que é uma hormona de crescimento) poderia impedir a emissão de 824 mil toneladas de CO2 e 41 mil de metano, para além de 96 toneladas de monóxido de azoto. Trata-se dos principais gases que contribuem para o efeito de estufa, determinante para o aquecimento global. Também a acidificação da água seria minorada com a aplicação generalizada desta nova tecnologia.
A nível mundial, o gado bovino produz mais gases com efeito de estufa do que a circulação automóvel, segundo dados de 2006 da FAO (Organização Mundial para a Agricultura e Alimentação). Embora só seja responsável pela emissão de 9% do CO2, outros gases bem mais nocivos concentram-se na produção de gado. Assim, esta é responsável por 65% de hemióxido de azoto - imputável essencialmente ao estrume -, que é um gás 296 vezes mais nocivo para o aquecimento global que o CO2.
O gado é igualmente produtor de 37% do metano, que incide nas alterações climáticas 23 vezes mais que o CO2. O metano advém da actividade digestiva dos ruminantes. Finalmente, 64% do amoníaco lançado na atmosfera é também da responsabilidade da criação de gado, contribuindo para o fenómeno das chuvas ácidas.
Fonte: Filomena Martins, in DN, 4 de Julho de 2008
Mercúrio tem muitos vulcões e pouco ferro

Sistema solar. Sonda 'Messenger' da NASA tem chegada prevista a Mercúrio em 2011, mas fez primeira aproximação ao planeta em Janeiro. Observações mostram novidades do primeiro planeta
Primeiro planeta do sistema solar mostra face oculta
Mercúrio, o planeta mais chegado ao Sol, tem novidades para contar. Depois de a nave Messenger, da NASA, ali ter feito uma aproximação, a 14 de Janeiro, os resultados dessa observação são hoje publicados na Science. Pela primeira vez foi agora observada uma região de Mercúrio nunca antes estudada, e os dados indicam que o primeiro planeta do sistema solar tem intensa actividade vulcânica. Em, contrapartida, as suas rochas parecem pobres em ferro.
A Messenger é a primeira sonda enviada a Mercúrio desde que a Mariner 10, também da NASA, ali passou por perto, em três voos distintos, em 1974 e 1975. Viu-se então pela primeira vez a face daquele planeta (ou melhor, metade da sua face), quando a sonda enviou fotografias para a Terra, e descobriu-se que Mercúrio possuía uma atmosfera fina e também um campo um campo magnético.
Com este regresso - que passará ainda por mais dois voos de aproximação, em 6 de Outubro próximo e 29 de Setembro de 2009, antes de a Messenger atingir a órbita de Mercúrio, em 18 de Março de 2011 -, os cientistas ficaram agora a saber que a actividade vulcânica foi mais importante do que se pensava até agora para a formação da sua superfície.
"Conseguimos desta vez imagens de uma parte de Mercúrio que a Mariner 10 nunca chegou a ver", explicou o geólogo Mark Robinson, da Arizona State University e um dos autores dos artigos publicados hoje na Science sobre os dados da Messenger. "Este retrato ainda está incompleto, mas vamos observar a parte que falta na próxima passagem, a 6 de Outubro", sublinhou o investigador, citado pelo Eurekalert, serviço noticioso de ciência, nos EUA.
A grande novidade dos primeiros dados enviados para a Terra pela Messenger tem a ver com o papel do vulcanismo na dinâmica do planeta. Apesar de semeado por crateras, um pouco como a Lua, a sua superfície foi sendo moldada e alterada pela actividade vulcânica que ali existe. Muitas das formas geológicas observadas a 14 de Janeiro são resultantes de movimentos de lava à superfície.
Por exemplo, numa vasta região do planeta chamada Caloris, com cerca de 500 mil quilómetros quadrados, há "grandes quantidades de material que parece de origem vulcânica", adiantou Mark Robinson, notando que isso implica que existam também grandes fontes de magma no interior do planeta.
Outra novidade proporcionada por este primeiro voo da Messenger é a aparente falta de ferro nas formações geológicas visíveis, que os cientistas consideram um pouco enigmática. Uma parte do material rochoso ali existente, e que está mais ou menos disseminado por toda a superfície, e também no subsolo de Mercúrio, como mostraram os espectrómetros a bordo da sonda, parece não conter ferro, o que o torna pouco habitual, segundo os cientistas.
Uma possibilidade para explicar esta situação é que o ferro esteja lá, e a Messenger não o tenha detectado porque a sua assinatura química foi obscurecida por outros minerais. Outra, é que Mercúrio se formou assim mesmo. Tirar a questão a limpo é uma das tarefas a que os cientistas vão certamente dedicar-se, quando houver mais dados.
Fonte: FILOMENA NAVES, in DN, 4 de Julho de 2008
Primeiro planeta do sistema solar mostra face oculta
Mercúrio, o planeta mais chegado ao Sol, tem novidades para contar. Depois de a nave Messenger, da NASA, ali ter feito uma aproximação, a 14 de Janeiro, os resultados dessa observação são hoje publicados na Science. Pela primeira vez foi agora observada uma região de Mercúrio nunca antes estudada, e os dados indicam que o primeiro planeta do sistema solar tem intensa actividade vulcânica. Em, contrapartida, as suas rochas parecem pobres em ferro.
A Messenger é a primeira sonda enviada a Mercúrio desde que a Mariner 10, também da NASA, ali passou por perto, em três voos distintos, em 1974 e 1975. Viu-se então pela primeira vez a face daquele planeta (ou melhor, metade da sua face), quando a sonda enviou fotografias para a Terra, e descobriu-se que Mercúrio possuía uma atmosfera fina e também um campo um campo magnético.
Com este regresso - que passará ainda por mais dois voos de aproximação, em 6 de Outubro próximo e 29 de Setembro de 2009, antes de a Messenger atingir a órbita de Mercúrio, em 18 de Março de 2011 -, os cientistas ficaram agora a saber que a actividade vulcânica foi mais importante do que se pensava até agora para a formação da sua superfície.
"Conseguimos desta vez imagens de uma parte de Mercúrio que a Mariner 10 nunca chegou a ver", explicou o geólogo Mark Robinson, da Arizona State University e um dos autores dos artigos publicados hoje na Science sobre os dados da Messenger. "Este retrato ainda está incompleto, mas vamos observar a parte que falta na próxima passagem, a 6 de Outubro", sublinhou o investigador, citado pelo Eurekalert, serviço noticioso de ciência, nos EUA.
A grande novidade dos primeiros dados enviados para a Terra pela Messenger tem a ver com o papel do vulcanismo na dinâmica do planeta. Apesar de semeado por crateras, um pouco como a Lua, a sua superfície foi sendo moldada e alterada pela actividade vulcânica que ali existe. Muitas das formas geológicas observadas a 14 de Janeiro são resultantes de movimentos de lava à superfície.
Por exemplo, numa vasta região do planeta chamada Caloris, com cerca de 500 mil quilómetros quadrados, há "grandes quantidades de material que parece de origem vulcânica", adiantou Mark Robinson, notando que isso implica que existam também grandes fontes de magma no interior do planeta.
Outra novidade proporcionada por este primeiro voo da Messenger é a aparente falta de ferro nas formações geológicas visíveis, que os cientistas consideram um pouco enigmática. Uma parte do material rochoso ali existente, e que está mais ou menos disseminado por toda a superfície, e também no subsolo de Mercúrio, como mostraram os espectrómetros a bordo da sonda, parece não conter ferro, o que o torna pouco habitual, segundo os cientistas.
Uma possibilidade para explicar esta situação é que o ferro esteja lá, e a Messenger não o tenha detectado porque a sua assinatura química foi obscurecida por outros minerais. Outra, é que Mercúrio se formou assim mesmo. Tirar a questão a limpo é uma das tarefas a que os cientistas vão certamente dedicar-se, quando houver mais dados.
Fonte: FILOMENA NAVES, in DN, 4 de Julho de 2008
terça-feira, 1 de julho de 2008
Subscrever:
Mensagens (Atom)
